O aumento dos casos de sífilis em Caxias do Sul acende um alerta na Secretaria Municipal da Saúde, principalmente pelos impactos em gestantes e recém-nascidos. Em entrevista à Rádio Caxias, a infectologista da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Annelise Kirsch, informou que, somente no último mês, dez crianças nasceram expostas à sífilis congênita no município.
Em relação ao HIV, dados da vigilância epidemiológica apontam mudança no perfil das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Atualmente, jovens entre 20 e 29 anos concentram a maior parte dos novos casos, com crescimento contínuo entre mulheres. A presença de ISTs, como a sífilis, aumenta o risco de transmissão do HIV. A Secretaria Municipal da Saúde reforça a importância do uso regular de preservativos e da realização periódica de testes como principais formas de prevenção contra sífilis, HIV e outras ISTs.
Segundo a médica, a infecção durante a gestação pode causar abortos, malformações congênitas, alterações ósseas e neurológicas, além de sepse neonatal. Embora os recém-nascidos recebam tratamento nas maternidades, os casos indicam falhas no diagnóstico precoce e no acompanhamento pré-natal.

A infectologista destacou ainda que todas as Unidades Básicas de Saúde realizam testes rápidos para sífilis e HIV, com atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o Lenacapavir, medicamento indicado para pessoas com maior risco de exposição ao vírus. A medicação se diferencia por ser aplicada por injeção a cada seis meses e apresenta eficácia próxima de 98% nos estudos clínicos. Apesar da aprovação, o medicamento ainda não está disponível no SUS, aguardando avaliação do Ministério da Saúde.
Durante a entrevista, também foi abordado o vírus Nipah, identificado principalmente em países da Ásia. A transmissão ocorre por contato direto com animais infectados, como morcegos frugívoros, ou por alimentos contaminados. Apesar da alta letalidade, especialistas avaliam que o risco de disseminação em larga escala é baixo, já que a transmissão entre humanos é limitada. No Brasil, não há registro de casos.
Confira aqui a entrevista completa.
