A manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, anunciada nesta semana, foi recebida como uma decisão já esperada pelo mercado. Para a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), no entanto, o cenário econômico brasileiro ainda apresenta obstáculos para uma futura redução dos juros.
Em nota divulgada, o presidente da entidade, Luiz Carlos Bohn, avalia que a desvalorização do real e as incertezas sobre a condução das contas públicas limitam a flexibilização da política monetária. Na avaliação de Bohn, a decisão do Banco Central precisa ser compreendida diante de um ambiente internacional de pressão sobre os preços da energia, especialmente do petróleo e de seus derivados.
Os conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia ampliam os riscos inflacionários e podem levar bancos centrais de outros países a manter políticas monetárias mais restritivas. No Brasil, embora a atividade econômica apresente sinais de desaceleração e a previa da inflação de outubro tenha surpreendido positivamente, a recente deterioração do câmbio acendeu um alerta.
O presidente da Fecomércio-RS destaca que a desvalorização da moeda brasileira pode pressionar os preços de produtos importados e insumos, além de influenciar as expectativas de inflação. Segundo ele, esse movimento também está relacionado à perda de confiança dos agentes econômicos nas perspectivas da economia nacional, principalmente diante das dúvidas sobre os gastos públicos e da ausência de sinalizações concretas para conter o avanço das despesas.
Para Bohn, a manutenção da Selic evidencia que a falta de confiança na condução da política fiscal pode restringir a capacidade de redução dos juros, mesmo em um contexto de desaceleração econômica. A entidade considera que a evolução do cenário fiscal e cambial será determinante para as próximas decisões do Banco Central. Enquanto isso, a taxa permanece em patamar elevado, com reflexos sobre o custo do crédito, o consumo e a atividade econômica.
