O Ministério Público do Rio Grande do Sul apresentou denúncia, nesta quarta-feira (4), contra seis pessoas investigadas na Operação Ascaris. Deflagrada em 2025, em Caxias e mais duas cidades da região, a ação coordenada pelo Gaeco apurou o desvio de materiais para doação provindos dos Estados Unidos para serem entregues às vítimas das enchentes no Estado.
A peça apresentada pelo promotor de justiça Manoel Figueiredo Antunes aponta oito fatos delituosos cometidos pelos denunciados. Coordenador do 5º Núcleo Regional do Gaeco-Serra, Antunes destaca que as investigações aprofundaram os crimes de organização criminosa, peculato – pelo desvio dos donativos – e lavagem de dinheiro. Ele ainda aponta com perplexidade que pessoas consigam auferir lucro em meio a uma tragédia climática.
A Operação Ascari iniciou após informações do Consulado Geral do Brasil em Miami (EUA) apontarem que roupas arrecadadas para auxiliar os atingidos estavam sendo vendidas na Serra. As diligências realizadas em Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul encontraram dezenas de caixas de roupas, fraldas, calçados, medicamentos, mamadeiras, eletrodomésticos e produtos de higiene.
A investigação também apurou o desvio de mercadorias doadas por empresas, de vouchers de combustível destinados às ações de assistência, além da utilização de contas bancárias e bens em nome de terceiros para ocultar patrimônio. Todo material foi distribuído para entidades que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade em Caxias, com auxílio da FAS e da diretoria regional do MPRS.
