Cerca de R$ 1,4 bilhão ainda está disponível para resgate nas plataformas de apostas esportivas e jogos on-line que estão sendo encerradas no Brasil. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (2) pelo Ministério da Fazenda. O prazo para os apostadores solicitarem voluntariamente a devolução dos valores termina às 23h59 de segunda-feira (5).
Desde a publicação da medida provisória que proibiu as bets no país, em 25 de setembro, o saldo mantido pelos usuários caiu cerca de 31%. Naquele momento, aproximadamente R$ 2,1 bilhões ainda estavam nas contas das plataformas. Segundo o governo, a redução representa cerca de R$ 652 milhões já retirados pelos apostadores.
A orientação é que quem ainda possui saldo faça o pedido de retirada diretamente no site ou aplicativo da plataforma até segunda-feira. A partir de terça-feira (6), os sites e aplicativos deverão ficar indisponíveis. Os valores que permanecerem nas contas serão informados pelas empresas às instituições financeiras e deverão ser devolvidos entre os dias 9 e 14 de outubro. Em casos de dificuldade operacional, a Caixa Econômica Federal poderá intermediar a devolução.
O economista Mosar Leandro Ness avalia que a devolução dos recursos pode produzir efeitos sobre o consumo e a circulação de dinheiro na economia. Segundo ele, parte dos valores que estava nas plataformas pode voltar para despesas do dia a dia, como alimentação, vestuário, medicamentos e outros serviços.
Ness destaca que esse movimento pode gerar um efeito de circulação da renda. O dinheiro utilizado no comércio, por exemplo, passa a integrar novamente o fluxo econômico, alcançando empresas, fornecedores e trabalhadores.
Outro ponto levantado pelo economista é o endividamento das famílias. Na avaliação dele, o crescimento das apostas alterou o comportamento financeiro de parte dos consumidores, com recursos que antes seriam destinados ao consumo ou à formação de poupança sendo direcionados para as plataformas.
O especialista também chama atenção para o risco de migração para sites ilegais ou sediados no exterior. Segundo Ness, nesse cenário, o consumidor pode ficar sem as mesmas garantias e mecanismos de proteção existentes no mercado regulado.
A mudança também interrompe uma cadeia econômica formada pelo setor de apostas, que envolvia áreas como tecnologia, atendimento, auditoria, publicidade e marketing, além de patrocínios esportivos.
O governo informou que a movimentação diária destinada às casas de apostas girava em torno de R$ 600 milhões antes da entrada em vigor da medida provisória. Segundo o Ministério da Fazenda, esse fluxo deixou de ocorrer a partir de 26 de setembro.
Para o economista, o principal efeito imediato do resgate é a possibilidade de recolocar esses recursos em circulação na economia. Ele ressalta, porém, que a devolução do dinheiro não elimina, por si só, o endividamento já acumulado pelas famílias.
A orientação, neste momento, é que o apostador confira se possui saldo e solicite o resgate diretamente na plataforma. O governo também alerta para possíveis golpes durante o processo de devolução. Não é necessário pagar uma taxa para liberar o dinheiro.





