Com apenas quatro votos favoráveis, os vereadores de Caxias do Sul rejeitaram nesta terça-feira (29), o pedido de abertura do processo de impeachment do prefeito Adiló Didomenico (PSD). Foram 15 votos contrários e 3 abstenções da bancada do Partido dos Trabalhadores (PT).
A vereadora Daiane Mello (PL) não pode votar por ser autora do pedido. O primeiro suplente, Rafael Bado, foi convocado, mas apresentou negativa. Desta forma, o segundo suplente, Leandro Golin, precisou ser chamado. Como a demora do comparecimento, o vereador Cláudio Libardi (PCdoB) sugeriu que a pauta tivesse continuidade até a chegada do novo parlamentar. Os trabalhos continuaram e foram finalizados. Com cerca de uma hora e meia de nova espera, Golin finalmente tomou posse no lugar de Daiane para votação. A justificativa para demora foi a burocracia com a documentação.
Poucas pessoas acompanharam a votação no plenário, entre elas, o chefe da Casa Civil, Roneide Dornelles, e o secretário de Gestão de Urbana, Rodrigo Weber. Após leitura do documento, foi disponibilizado 15 minutos para defesa do Chefe do Executivo. O espaço não foi ocupado. A vereadora Rose Frigeri (PT) também apresentou pedido de adiamento da votação, contudo, foi rejeitado pela maioria.
Nas declarações de voto, o vereador Hiago Morandi (Novo) criticou o governo, mas disse que acreditava em outros meio antes do impeachment. Já Rose adiantou que a bancada do Partido dos Trabalhadores iria se abster na votação. O colega de partido, Lucas Caregnato (PT) apontou a importância de que o governo corrija os rumos a partir de agora. Na mesma linha de críticas, Cláudio Libardi (PCdoB) explicou que para ele seria muito fácil votar favorável, uma vez que considera o governo Adiló terrível, mas que o caso se referia a 2024, mandato anterior do prefeito.
O pedido
No pedido, a vereadora Daiane Mello (PL) alegou no seu documento que o Governo Municipal não executou uma determinação legal para retirada das famílias da Vila Sapo, no bairro Serrano. O ponto principal tem base na Lei Municipal 9.117/2024, que autorizou o repasse de R$ 7 milhões do Samae ao Executivo, para compra de 20 lotes e construção de 40 casas. A vereadora questionou a destinação do valor, descumprimento do cronograma estabelecido e ausência de garantia financeira para execução das moradias.
O pedido usou o alagamento da comunidade no último dia 21, evidenciando a necessidade do reassentamento das famílias que residem na Vila Sapo. A denúncia enquadrou quatro possíveis infrações: descumprimento de orçamento aprovado; praticar ato contra disposição expressa da lei ou omitir-se no cumprimento da mesma; omissão ou negligência na defesa dos bens, rendas, direitos e interesses do município; e proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.
Golin
Leandro Bertolazzi Golin fez 1.466 votos nas Eleições de 2024 e ficou na segunda suplência do Partido Liberal. Deficiente auditivo, ele compareceu na Casa com a Intérprete de Libras. O vereador tomou posse perto das 11h e na declaração do voto disse que, quem não faz nada de errado, não precisa ter medo, e por isso iria votar pela abertura do processo de investigação.
Assim como Daiane, ele é candidato nas eleições deste ano.



