A força do papel feminino – e do seu associativismo – no mercado de trabalho ganhou palco e voz durante o 4º Encontro da Mulher Empreendedora, realizado pela Federação Varejista do Rio Grande do Sul por meio da CDL Mulher RS no dia 17 de setembro, em Bento Gonçalves. A programação reuniu cerca de 400 participantes em um circuito de palestras e painéis com lideranças, empresárias e representantes do movimento lojista para um dia de debates e conexões. Com o tema “A Mulher que Lidera o Novo Tempo”, colocou em evidência os desafios e as oportunidades para as mulheres que ocupam espaços de liderança e protagonismo nos negócios.
Diretora da CDL Mulher RS, Débora Balbinotti Lunardi, destacou a trajetória construída pelo movimento e o propósito de fortalecer mulheres por meio do desenvolvimento de seus negócios. “Através do empoderamento dos nossos negócios, podemos impulsionar mulheres, gerar conhecimento, conexões e oportunidades. Quando dizemos ‘empoderar negócios e impulsionar mulheres’, não é apenas uma frase bonita. É um propósito”, destacou. A força dessa atuação também foi ressaltada pelo pronunciamento da coordenadora da CDL Mulher, Lucia Leijôto, que, em um vídeo enviado especialmente para a ocasião, relacionou o tema do encontro ao papel exercido pelas participantes diante das transformações do ambiente empresarial. “Que tema inspirador! ‘A Mulher que lidera o novo tempo’. Porque é exatamente isso que vocês representam: liderança ativa, coragem, visão de futuro”, afirmou Lucia.
Conquista e representatividade
O presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, também ressaltou a participação das mulheres na construção e no fortalecimento do movimento lojista. Ao relembrar o convite feito a Débora para assumir a liderança da CDL Mulher no Estado, destacou a importância de sua decisão de aceitar o desafio e relacionou esse gesto à participação de todas as mulheres que integram o movimento. “Muito obrigado pelo teu sim. E, aqui, agradecendo o teu sim, agradeço a cada uma de vocês, porque são vocês que fazem o movimento”, afirmou Pioner.
A importância da aproximação entre o poder público e a iniciativa privada – especialmente no que tange às empresas comandadas por mulheres – foi destaque na fala do prefeito de Bento Gonçalves, Amarildo Lucatelli. “Temos que estar ao lado dessas mulheres para que todas elas também possam construir um país melhor. Vocês, aqui, mulheres gaúchas, já provaram que somos diferentes, passamos por muita dificuldade, mas ninguém desistiu ou desanimou: erguemos a cabeça!”, disse.
Novo tempo sem perder o foco nas conexões humanas
A programação de conteúdo trouxe a especialista em liderança e futuro do trabalho Flávia Lippi, que abordou os impactos da tecnologia sobre a forma de pensar, decidir, trabalhar e se relacionar. Para isso, com a experiência de palestrante internacional e TEDx speaker, Flávia envolveu o público ao defender que o uso das ferramentas de IA exige recuperar a capacidade de estar presente e escolher conscientemente onde concentrar a própria atenção. Para ela, em um cenário de excesso de informações e crescente automação, é preciso preservar aquilo que não deve ser terceirizado às ferramentas digitais: pensamento crítico, consciência, criatividade, pausas e relações humanas, sobretudo na liderança feminina. “Liderar na era da inteligência artificial não significa fazer tudo, saber tudo e muito menos dar conta de tudo em 24 horas. É exatamente o oposto, ela deve vir para complementar e facilitar”, afirmou.
Construção de marcas mirando na coletividade
O painel “O poder da comunidade na construção de marcas e empresas” redefiniu o conceito de conexão entre empreendedoras. Susana Stroher, coordenadora do Sebrae Delas RS, e Samara Gomes Beretti, vice-presidente do Sicredi Serrana, lançaram suas visões sobre o tema. “Quando geramos um ecossistema que se trabalha junto, trocando informações e conhecimento, com certeza os negócios tendem a ter mais prosperidade. Cada vez mais vemos mulheres chegando com confiança, buscando conhecimento e informações pra gerir seus negócios”, pontuou Samara. Já Susana Stroher ampliou a reflexão ao defender que uma comunidade empreendedora precisa ir além da aproximação entre pessoas e transformar vínculos em colaboração efetiva: “Comunidade é além de gerar networking, além do contato. É estabelecer uma conexão, saberem do negócio de outras mulheres, trocarem informações, oportunidades e consolidar resultados”, finalizou.
Liderança como legado e em diferentes contextos
A relação entre legado, inovação e continuidade ganhou uma dimensão especialmente pessoal na palestra “Mãe e filha: Os desafios de uma sucessão entre mulheres”, ministrada por Analisa Brum e Andressa Brum. À frente da HappyHouse, empresa que atua há mais de duas décadas com comunicação interna e endomarketing, mãe e filha compartilharam os bastidores da transição de liderança iniciada em 2023, quando Andressa, então com 27 anos, assumiu a gestão da empresa fundada por Analisa. “A sucessão não é um evento, é um processo que pode levar cinco anos ou mais. E quando a gente está desalinhada, incrivelmente o público interno também desalinha. Nesse processo, é obrigatório que as duas lideranças estejam alinhadas”, relatou Andressa. Para Analisa, no entanto, o maior desafio da sucessão estava em aceitar que a organização poderia prosperar sem a sua presença na operação diária. “Eu levei muito tempo para aceitar que a Happy funciona sem mim. Hoje eu acho que eu sou muito mais importante do que eu era antes, porque agora tenho o privilégio de ter uma filha que quis continuar o negócio”, emocionou-se.
Os diferentes sentidos da liderança feminina em um cenário de mudanças foram o eixo do painel “A mulher que lidera o novo tempo”, que reuniu Maitê Dall’Onder, da Rede de Hotéis Dall’Onder; Rosane Fantinelli, diretora de Marketing da Tramontina; e Michele Monaco, do Monaco Atacadista. A partir de experiências distintas, as três executivas falaram sobre confiança, legado e a conquista de espaços de decisão. Maitê resgatou sua própria trajetória, do administrativo ao comando da área comercial, para destacar a importância de se preparar para assumir novas posições. “A gente tem sempre que se preparar para as oportunidades”, afirmou. Na Tramontina, Rosane trouxe a história de Elisa Tramontina, matriarca que ajudou a construir o legado da empresa, como inspiração para falar sobre resiliência e protagonismo feminino. “É uma história de resiliência, de uma mulher que enfrentou a doença, a solidão e que deixou um legado de fé, de amizade, de compromisso”, destacou. Já Michele abordou a transformação de uma cultura familiar em que mulheres tradicionalmente ocupavam a operação, enquanto os homens estavam nas decisões. “Eu também queria estar na mesa de decisão, queria mudar esse cenário. Eu fui com coragem: vou desbravar, vou entender, vou estudar, vou aprender e vou me posicionar para conseguir ocupar o meu espaço”, relatou.
Renascimento em meio a dívidas
A programação do 4º Encontro da Mulher Empreendedora terminou com uma dose generosa de irreverência, coragem e realidade sobre o empreendedorismo. Conhecida como “Maluca do Peixe”, Manuela Teixeira encerrou o evento compartilhando uma trajetória marcada por decisões ousadas, fracassos, dívidas, reinvenção e pela construção de uma marca que ultrapassou as portas da própria peixaria. Farmacêutica com doutorado em Farmacologia Química Medicinal, Manuela deixou a carreira acadêmica para empreender e, ao longo da caminhada, enfrentou desde o descrédito de quem não acreditava em seu negócio até uma dívida de R$ 1 milhão. Em vez de esconder os tropeços, transformou-os em aprendizado e mostrou ao público que empreender também significa saber recuar, reorganizar e recomeçar. “Faturamento não quer dizer absolutamente nada! Não importava que eu tinha duas lojas faturando, uma estava negativando a outra. Eu precisava entender que a coisa mais estratégica a se fazer naquele momento era fechar e me concentrar na primeira loja”, relatou. Ao revisitar os períodos mais difíceis, Manuela reforçou a importância de agir mesmo quando ainda não existe segurança ou estrutura ideal: “Faça o que dá com o que você tem. A prática, te leva à perfeição! Tu tem que começar hoje”, pontuou. A palestra ainda destacou a força do relacionamento com o cliente e da comunicação como ferramentas de crescimento, especialmente para pequenos negócios. Para Manuela, é preciso comunicar aquilo que torna cada negócio único. “Marketing não é despesa, é investimento. Qual é o seu diferencial? O que é que tem no negócio de vocês que só vocês fazem? Vocês têm obrigação de comunicar isso, porque as pessoas precisam do seu negócio, as pessoas precisam do seu serviço”, finalizou.
Promovendo a integração, o 4º Encontro da Mulher Empreendedora encerrou com a presença da corte da 41ª Oktoberfest de Santa Cruz do Sul, Rainha Emanuela Thayná Schuster e as Princesas Gabriele Renata Bredow e Fernanda Laís Hauth, acompanhadas pela tradicional bandinha da Oktoberfest. Na ocasião, elas convidaram as participantes para a maior festa alemã do Rio Grande do Sul, que ocorre de 8 a 12, 15 a 18 e 21 a 25 de outubro, no Parque da Oktoberfest, em Santa Cruz do Sul, com o tema Onde a Tradição encontra a Alegria.
Texto: Assessoria de imprensa da Federação Varejista do Rio Grande do Sul




