A regulamentação do mercado de milhas aéreas avançou no Congresso Nacional e pode estabelecer novas regras para programas de fidelidade, em um setor que movimenta operações de venda, transferência e conversão de pontos. Em agosto, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto sobre o tema, que agora será analisado pelo Senado.
Em paralelo às discussões sobre as regras do mercado, o segmento também começa a ganhar iniciativas voltadas à formação profissional. A Go Miles Club, fundada pelo engenheiro e empreendedor Aloysio Rebello, lançou o primeiro MBA em Gestão Estratégica de Milhas Aéreas reconhecido pelo Ministério da Educação, o MEC.
A formação pretende preparar profissionais para atuar em um mercado que reúne programas de fidelidade, bancos, companhias aéreas e empresas especializadas em estratégias de acúmulo, transferência e utilização de pontos.
A proposta é tratar a gestão de milhas de forma técnica, considerando fatores como custo de aquisição, valor dos pontos, liquidez, prazo de validade e risco de desvalorização. Segundo Rebello, durante anos o segmento esteve associado à informalidade e a promessas de ganhos rápidos.
Para os consumidores, um dos principais desafios é o planejamento. Acumular pontos sem um objetivo definido, perder prazos de validade ou realizar resgates sem comparar as alternativas disponíveis pode reduzir o aproveitamento das milhas.
A gestão também envolve o acompanhamento de promoções, campanhas de transferência bonificada e condições de resgate. Outro cuidado é comparar o custo de uma passagem emitida com milhas com o valor do mesmo voo em dinheiro.
O cenário ficou mais complexo com o avanço da chamada precificação dinâmica, em que a quantidade de milhas exigida para uma passagem pode variar de acordo com fatores como demanda e disponibilidade.
Os programas de pontos oferecidos por bancos também ganharam relevância no processo de acúmulo, principalmente por meio de campanhas que oferecem bônus para a transferência dos pontos a programas de companhias aéreas.
A segurança das contas é outro ponto de atenção. Fraudes, acessos indevidos e movimentações não autorizadas podem resultar na perda de pontos. Além disso, alterações nas regras dos programas exigem acompanhamento constante dos usuários.
Nesse contexto, o MBA busca formar profissionais para atuar com estratégias de acúmulo, transferência e utilização de pontos e milhas, tanto no planejamento pessoal quanto na gestão dessas operações para empresas.
A proposta está associada ao conceito de “Engenharia das Milhas”, defendido por Rebello, que aplica uma abordagem analítica à avaliação de custos, oportunidades e eficiência na utilização dos pontos.
Para o consumidor, a recomendação é acompanhar as regras dos programas e evitar o acúmulo sem planejamento. Como valores, prazos e condições de resgate podem mudar, manter milhas paradas por longos períodos pode reduzir o poder de compra.
Com a discussão sobre regulamentação no Congresso e a criação de uma formação reconhecida pelo MEC, o mercado de milhas passa por um momento de transformação, marcado pela busca por regras mais claras e pela profissionalização das atividades relacionadas à gestão de pontos.
Como acumular milhas
Uma estratégia é acompanhar os preços das passagens e comparar o valor em dinheiro com o custo da emissão utilizando pontos ou milhas. Ferramentas de comparação de preços, como o site Compare Mania, podem auxiliar o consumidor nesse acompanhamento e na identificação de variações de preços antes da tomada de decisão.





