O Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa é celebrado anualmente em 1º de outubro. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1991, com o objetivo de sensibilizar a sociedade para as necessidades, os direitos e o bem-estar das pessoas idosas.
Mas você sabia que a convivência frequente com animais de estimação pode estar associada à redução de sintomas de depressão entre pessoas com 60 anos ou mais? É o que aponta um estudo publicado em 2026 na revista científica JMIR Research, que investigou a relação entre a convivência com animais de estimação e a saúde mental na velhice.
Segundo o levantamento, o benefício não estaria relacionado apenas ao fato de ter um animal de estimação. A interação frequente, o cuidado e a participação ativa na rotina do pet são apontados como fatores importantes para o bem-estar psicológico e também para aspectos cognitivos.
A relação entre animais de estimação, rotina e saúde emocional também aparece na experiência do escritor Fernando Machado, autor do livro “O Velho e o Cão”.
Aos 83 anos, viúvo e morando em Florianópolis, Machado afirma que a convivência com o cachorro Brown passou a ocupar um papel importante no cotidiano. Os cuidados com o animal estabeleceram horários para passeios, alimentação e outras atividades, além de estimularem o contato com o ambiente externo e com outras pessoas.
Segundo o escritor, a presença do cachorro não elimina as dificuldades da vida, mas ajuda a manter uma rotina e oferece uma forma de companhia baseada na constância e no vínculo.
Os passeios com Brown, por exemplo, também funcionam como uma oportunidade de interação social. Machado relata que a presença do animal facilita conversas e aproximações com outras pessoas, criando uma conexão com o mundo fora de casa.
Foi justamente essa convivência que inspirou o escritor a produzir “O Velho e o Cão”. A obra é narrada pela perspectiva do animal e aborda temas como lealdade, afeto, pertencimento e conexão.
Para Machado, a rotina com Brown também modificou sua percepção sobre os vínculos afetivos. Segundo ele, a relação com o cão é construída principalmente por meio de gestos cotidianos, como a espera, os passeios, o reconhecimento da voz e a presença constante.
A experiência também levou o escritor a observar de outra maneira o comportamento do animal e a transformar essa percepção em narrativa.
O relato chama atenção para um aspecto importante do envelhecimento: a necessidade de manter vínculos e atividades que deem estrutura à rotina.
Machado considera que a convivência com Brown contribui para que ele permaneça ativo e conectado ao cotidiano. O animal exige cuidados, horários e movimento, mas, segundo ele, esse compromisso acaba funcionando como parte da organização dos dias.
O estudo e a experiência relatada pelo escritor apontam, portanto, para uma mesma questão: a relação com um animal de estimação pode ultrapassar a ideia de companhia e fazer parte da rotina e dos vínculos de uma pessoa idosa.
A pesquisa, no entanto, fala em associação entre a convivência com pets e a redução de sintomas de depressão. O material não estabelece, por si só, que ter um animal cause diretamente essa redução.
Além dos possíveis benefícios emocionais, a convivência com um pet envolve responsabilidade e cuidados permanentes. Por isso, a decisão de adotar um animal precisa considerar as condições e a capacidade de cada pessoa para assumir esse compromisso.





