O Brasil concentrou cerca de 39% dos casos de deepfake registrados na América Latina em 2025. Dados do 6º volume do Radar Tecnológico da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), divulgado em julho, apontam ainda que os ataques que utilizam imagens, vozes e identidades falsas cresceram 126% no país em relação a 2024.
Os números evidenciam o avanço do uso da inteligência artificial na produção de conteúdos falsos cada vez mais realistas e ampliam os riscos de fraudes, golpes e desinformação. O cenário ganha atenção especial com as Eleições 2026, já que vídeos, áudios e imagens manipulados podem simular declarações de candidatos e dificultar a identificação do que é verdadeiro.
Com a proximidade do pleito, as redes sociais tendem a ganhar ainda mais espaço no debate político. Nesse ambiente, o funcionamento dos algoritmos, a formação de bolhas de conteúdo e a circulação de informações falsas podem influenciar a percepção dos eleitores.
De acordo com o especialista em marketing digital e CEO da Unu Digital, Felipe Pereira, os algoritmos das plataformas analisam o comportamento dos usuários para definir quais conteúdos serão recomendados. Curtidas, comentários, compartilhamentos e o tempo de visualização dos vídeos estão entre os fatores considerados.
Segundo Pereira, esse mecanismo contribui para a formação das chamadas bolhas digitais. Ao demonstrar interesse recorrente por determinado candidato ou posicionamento político, o usuário tende a receber cada vez mais conteúdos semelhantes.
Na prática, o eleitor pode ter a impressão de que determinada opinião ou candidato é predominante entre os usuários da rede. Isso ocorre porque a plataforma passa a priorizar conteúdos alinhados aos interesses e comportamentos já identificados naquele perfil.
Outro ponto de atenção durante o período eleitoral é a disseminação de fake news. Para Pereira, o conteúdo político costuma provocar forte reação emocional, o que pode favorecer o compartilhamento de informações sem a devida verificação e ampliar conflitos entre pessoas com posições diferentes.
As deepfakes representam um desafio adicional. Produzidos ou manipulados com recursos de inteligência artificial, esses conteúdos podem reproduzir características visuais e vocais de uma pessoa para fazê-la parecer dizer ou fazer algo que não aconteceu.
Embora a identificação esteja cada vez mais difícil, alguns sinais podem ajudar o usuário a desconfiar de um conteúdo. Pereira recomenda observar não apenas o rosto da pessoa, mas também o áudio, o ambiente ao redor e possíveis inconsistências na imagem.
A análise do contexto também é fundamental. Antes de considerar uma declaração verdadeira, o usuário deve verificar se aquela pessoa realmente fez a afirmação e buscar a informação em fontes confiáveis.
Pereira explica ainda que as plataformas permitem o direcionamento de campanhas para públicos específicos. Para isso, são considerados elementos como textos e legendas das publicações, além do comportamento anterior dos usuários. Dessa forma, os anúncios podem ser apresentados a pessoas com maior probabilidade de se interessar ou interagir com aquele conteúdo.
Diante do avanço das ferramentas de inteligência artificial e da proximidade das eleições, a recomendação é redobrar a atenção ao consumir e compartilhar informações nas redes sociais. Verificar a origem do conteúdo, analisar o contexto e buscar confirmação em fontes confiáveis são medidas importantes para reduzir a propagação de desinformação.
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