No Brasil, o câncer infanto-juvenil é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 7.930 novos casos da doença por ano no país, considerando o triênio de 2023 a 2025. Desse total, a previsão é de 4.230 casos no sexo masculino e 3.700 no feminino. O órgão trabalha com estimativas, já que os dados são projetados para o período.
Apesar de representar um número relativamente pequeno quando comparado aos casos de câncer em adultos, a doença tem impacto na saúde pública, principalmente pela gravidade e complexidade do diagnóstico e do tratamento.
Segundo o INCA, cerca de 80% das crianças e adolescentes diagnosticados precocemente podem ser curados. Estudos apontam que as taxas de cura no Brasil podem ultrapassar 70% quando a doença é identificada em estágio inicial e recebe o tratamento adequado. Um dos principais desafios, no entanto, continua sendo o diagnóstico tardio, já que os primeiros sintomas muitas vezes são semelhantes aos de doenças comuns da infância.
Em entrevista à Rádio Caxias, o médico oncologista pediátrico Felipe Lopes da Silva explica que existem diferenças entre o câncer infanto-juvenil e os tipos de câncer mais comuns em adultos. Ele destaca que não existem exames de rastreamento específicos para identificar o câncer infantil em suas fases iniciais e que, por isso, os sinais podem passar despercebidos.
É justamente para chamar a atenção para esses sinais que o mês de setembro é marcado mundialmente pelo Setembro Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer infanto-juvenil. A iniciativa busca alertar pais, profissionais de saúde e toda a sociedade para a importância de reconhecer possíveis sintomas e buscar atendimento médico.
O médico também explica que, embora algumas formas de câncer possam ter relação com fatores genéticos, a maioria dos casos de câncer infantil não é hereditária.
Por isso, especialistas reforçam a importância de uma avaliação cuidadosa. A história clínica detalhada e o exame físico minucioso são fundamentais, assim como manter o câncer entre as possibilidades consideradas durante a avaliação médica. A atenção a sinais e sintomas que fogem do padrão esperado pode contribuir para um reconhecimento mais rápido da doença e, consequentemente, para o início do tratamento.



