Segundo dados do DataSUS, o Brasil registra anualmente cerca de 14 mil mortes por suicídio. Longe dos grandes centros urbanos e das capitais marcadas pela violência urbana, a verdadeira crise de saúde mental está concentrada na Região Sul. A probabilidade de uma pessoa tirar a própria vida nessa porção do país supera, em alguns casos, o risco de ser vítima de um assassinato. O Rio Grande do Sul lidera esse cenário, apresentando uma taxa de 13,9 suicídios por 100 mil habitantes, número que é 76% superior à média nacional e que se aproxima perigosamente do índice estadual de homicídios, fixado em 16,4. Em Santa Catarina, a distorção é ainda mais evidente, onde a taxa de suicídios chega a 12,4 por 100 mil, superando com folga o índice de homicídios, que é de 8,0. O Paraná completa o panorama regional com uma taxa de 10,4 mortes autoprovocadas por ano para cada 100 mil habitantes.
A concentração geográfica do fenômeno fica nítida ao analisar o perfil dos municípios mais afetados. Das 50 cidades brasileiras com mais de 30 mil habitantes que registram as maiores taxas de suicídio, 34 estão localizadas no Sul, sendo 29 no Rio Grande do Sul e 5 em Santa Catarina. As outras 16 cidades estão no Sudeste, divididas entre o interior de Minas Gerais e o interior de São Paulo. Em contrapartida, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste não possuem nenhum município nessa lista.
A cidade de Teutônia, no Vale do Taquari, possui a menor taxa de homicídios do Rio Grande do Sul, oferecendo uma probabilidade mínima de violência interpessoal para seus 34 mil habitantes. No entanto, o município lidera a lista nacional ao registrar uma média de 10 suicídios por ano, o que representa uma taxa de 29,4 mortes por 100 mil habitantes, quase quatro vezes a média do país. Logo atrás aparece Venâncio Aires, impulsionada pelas economias fumageira e coureiro-calçadista, que amarga a maior taxa entre as cidades gaúchas com mais de 50 mil habitantes, somando 18 mortes anuais e um índice de 25,9.
O interior gaúcho segue dominando as posições seguintes com São Luiz Gonzaga, no Noroeste, que lida com a pressão econômica sobre produtores rurais e acumula uma taxa de 24,2. A única exceção fora do território gaúcho entre as cinco primeiras posições é Braço do Norte, em Santa Catarina, que apresenta uma taxa de 24,1. O município catarinense compartilha com as lideranças gaúchas o mesmo perfil cultural de colonização alemã e italiana. O ranking dos cinco municípios com maiores índices é fechado por Caçapava do Sul, na campanha gaúcha, onde a pecuária extensiva convive com o êxodo de jovens e o envelhecimento de uma população que perde suas redes de apoio, resultando em uma taxa de 23,9 mortes por 100 mil habitantes
Está iniciando o mês de setembro, e nele ocorre o Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida no Brasil. De acordo com o voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV) em Caxias do Sul, José Theodoro, é justamente para valorizar a vida que é importante existir essa campanha.
O CVV é uma associação civil sem fins lucrativos que oferece apoio emocional gratuito e sob total sigilo para todas as pessoas que querem e precisam conversar. O atendimento nacional do CVV funciona 24 horas por dia pelo telefone 188, além de chat e e-mail disponíveis no site oficial. Em Caxias do Sul, são 30 voluntários, que atuam três horas por dias cada um, atendendo pessoas de todo o Brasil.




