A paternidade no Brasil passa por uma transformação. O pai, antes visto principalmente, como responsável pelo sustento da família, assume cada vez mais um papel ativo nos cuidados e na rotina dos filhos. Essa mudança também chegou à legislação. Em março deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Nº15.371, que regulamenta a licença-paternidade e cria o salário-paternidade.
A nova regra começa a valer em primeiro de janeiro de 2027 e amplia gradualmente o período de afastamento. A licença, que hoje é de cinco dias, passa para dez dias em 2027, 15 em 2028 e chega a 20 dias a partir de 2029. A medida vale para nascimento, adoção e guarda judicial para fins de adoção.
Mais do que aumentar o tempo de afastamento do trabalho, a mudança reforça a importância da presença paterna nos primeiros momentos de vida da criança. Segundo a professora de Psicologia, Luciane Centenaro, a participação do pai contribui para o desenvolvimento emocional e social dos filhos e fortalece os vínculos familiares.
Brincar, alimentar a criança, acompanhar a rotina escolar ou simplesmente conversar são atitudes que ajudam a construir essa relação. A maior participação dos pais também pode contribuir para uma divisão mais equilibrada das responsabilidades dentro de casa.
E essa transformação pode chegar também ao ambiente profissional. A experiência da parentalidade pode desenvolver habilidades como inteligência emocional, comunicação, negociação e gestão de conflitos — competências valorizadas no mercado de trabalho, segundo a especialista.
A mudança também representa um desafio para as empresas, que podem ampliar políticas de apoio à parentalidade, como horários flexíveis, trabalho híbrido e programas de suporte aos funcionários que têm filhos.
Para a especialista, é importante que o cuidado com as crianças deixe de ser visto como uma responsabilidade exclusivamente feminina.
Ainda existe, porém, uma cultura que associa o homem à disponibilidade permanente para o trabalho. Por isso, discutir a conciliação entre carreira e família também é importante.
A participação paterna, segundo Luciane, não depende apenas da quantidade de dias de licença. Momentos simples, como uma refeição juntos, uma conversa, uma brincadeira ou alguns minutos de atenção, ajudam a fortalecer o vínculo.
A proposta, resume a especialista, não é buscar uma paternidade perfeita, mas uma paternidade presente — com disponibilidade emocional e participação genuína na vida dos filhos.
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