A Secretaria Municipal da Saúde de Caxias do Sul (SMS) foi contemplada pelo Programa de Eficiência Energética do Grupo CPFL Energia e receberá a instalação da primeira usina fotovoltaica, que será responsável por fornecer energia para mais de 70 prédios da pasta. A usina será instalada no terreno onde anteriormente seria construída a Policlínica, informação confirmada com exclusividade à reportagem da Rádio Caxias pelo secretário da Saúde, Rafael Bueno.
Conforme o titular, ao assumir a secretaria, uma análise detalhada indicou que os serviços prestados nos prédios da atenção primária até a alta complexidade geravam um gasto mensal com energia elétrica de aproximadamente R$ 180 mil. A partir disso, a Secretaria foi cadastrada no programa, que confirmou o aceite.
Bueno detalha que o projeto possui um investimento total de R$ 5 milhões, custeado pelo próprio programa, assim como o videomonitoramento da usina, que deve ser integrado ao sistema de segurança da cidade. A contrapartida do município será o terreno, a terraplenagem do local, o cercamento e a limpeza periódica das placas. A instalação deve gerar uma economia anual de aproximadamente R$ 1 milhão, praticamente zerando o custo com energia da pasta. Ele relembra que, com essa economia, os recursos poderão ser revertidos para a ampliação dos atendimentos à população.
Além da usina, a Secretaria será contemplada, de forma gratuita, com mais de 1,2 mil lâmpadas de LED e com a substituição de aparelhos de ar-condicionado que, no momento, estão subutilizados. O secretário explica que a busca por espaços aptos a receber a usina fotovoltaica ocorre desde março. Diante da sinalização de desistência, por parte do prefeito Adiló Didomenico, da construção da Policlínica nesta semana, Bueno indicou o terreno ao mandatário para a instalação da usina. Dessa forma, segundo ele, por meio do projeto e da economia que deverá ser gerada, haverá uma resposta para a população. O secretário ressalta que, na sexta-feira (17), foi realizada uma reunião com a prefeitura e os demais departamentos para que o projeto seja viabilizado com agilidade.
O titular ainda revelou que o impasse para a construção da Policlínica ocorre porque o terreno que era previsto é um antigo aterro, definido antes de assumir a gestão da pasta, sendo necessárias diversas melhorias e perfurações no solo, com um investimento estimado de R$ 5 milhões apenas para adequar a área, situação constatada próximo ao fim do prazo pelo Executivo. Além disso, Bueno destaca que a Secretaria de Gestão e Finanças confiscou a contrapartida que a Secretaria da Saúde tinha, no valor de aproximadamente R$ 11 milhões, garantida para disponibilizar a contrapartida inicial ao processo licitatório.
Bueno destaca que atualmente trabalha juntamente com a deputada Denise Pessôa (PT) na busca pela prorrogação do prazo para viabilizar o projeto da Policlínica, afirmando ser totalmente contrário à desistência da obra. Ainda, o secretário disse ser totalmente contrário à condução do projeto de lei que prevê um empréstimo de R$ 490 milhões pelo município, já que, em nenhum momento, foi sinalizado que parte dos recursos poderia ser destinada à Saúde para a construção da Policlínica. Além disso, Bueno afirmou entender que o Hospital Saúde não deveria ser um problema do município, por se tratar de um hospital privado que atualmente apresenta diversas pendências financeiras. Segundo ele, caso a instituição venha a se tornar um hospital público, serão necessários investimentos superiores a R$ 12 milhões apenas em obras de adequação no local.
Anunciada em julho do ano passado, a Policlínica teve o local de implantação alterado do bairro Esplanada para uma área no bairro Sanvitto, espaço onde agora será instalada a usina fotovoltaica. A Policlínica teria como objetivo oferecer serviços de Atenção Especializada à Saúde de média complexidade, incluindo consultas, exames e pequenas cirurgias. Caxias do Sul estava entre os dois únicos municípios gaúchos contemplados com o projeto.



