A nova tarifa anunciada na quarta-feira (15) sobre uma série de produtos brasileiros, após recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e aceita pelo presidente Donald Trump, que estabelece uma alíquota adicional de 25%, deverá refletir, a médio prazo, na perda contínua de competitividade da indústria brasileira. Além disso, a medida pode encarecer entre US$ 9,5 bilhões e US$ 11 bilhões em vendas anuais, conforme avalia o economista Mosar Leandro Ness.
Entre os 50 produtos mais exportados pelo Brasil aos Estados Unidos no ano passado, petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, suco de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio ficaram de fora da nova cobrança. Por outro lado, máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns produtos de alumínio passarão a sofrer a incidência da tarifa adicional a partir de 22 de julho.
A medida é resultado da conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que trata de práticas consideradas desleais no comércio internacional.
Segundo o economista, o aumento dos custos dos produtos deve acelerar a busca por novos mercados, especialmente na Ásia, embora esses países também imponham tarifas elevadas. Mosar critica a falta de uma estratégia do Ministério das Relações Exteriores para enfrentar o aumento das barreiras comerciais impostas por diferentes países, e não apenas pelos Estados Unidos. Ele alerta, ainda, para o risco de novas sanções, que podem acrescentar mais 12,5% de tarifa para alguns setores. Caso isso ocorra, a sobretaxa poderá chegar a 37,5%, colocando o Brasil entre os países com a maior carga tarifária para exportar aos Estados Unidos.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) manifestou preocupação com a decisão do governo norte-americano. Segundo a diretora de Comércio Exterior da entidade, Patrícia Gomes, todos os segmentos da indústria de máquinas serão impactados. Dados da associação mostram que, no último ano, 23% das exportações do setor tiveram como destino os Estados Unidos, principal mercado para a indústria brasileira de máquinas. Com a nova tarifa, a expectativa é de uma queda de até 11% nas exportações. A retração também tende a afetar outros segmentos da economia que dependem desses equipamentos.
Os Estados Unidos importaram cerca de US$ 37,7 bilhões (aproximadamente R$ 192,7 bilhões) em produtos brasileiros em 2025. Antes da nova tarifa adicional de 25%, anunciada nesta semana, os produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano estavam sujeitos, em média, a tarifas de importação entre 3% e 3,5%, conforme a categoria, além de uma tarifa global temporária de 10% imposta pelo governo Donald Trump. Em outro momento, a administração americana também chegou a anunciar uma sobretaxa de até 50% com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), mas a medida foi parcialmente derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos.



