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Espedito Abraão relembra a sua história, prestes a comemorar 40 anos de carreira

  • Jair Junior
  • 27/06/2026
Foto: Site Oficial Espedito Abraão

Uma história que nasce no interior, entre o frio da serra e o calor da lida no campo… e que se transforma em música, estrada e tradição. Hoje, você vai conhecer a trajetória de um dos nomes que ajudaram a levar a música sul-brasileira para diferentes cantos do país: Espedito Abrahão, fundador do grupo Os Campeiros. Uma caminhada marcada por desafios, sonhos interrompidos… e outros que ganharam ainda mais força com o tempo.

Espedito de Lima Abrahão nasceu em um 25 de julho gelado, na região de São Jorge, interior do Rio Grande do Sul. Criado na localidade do Cafundó, no interior de Paraí, cresceu em meio à natureza, ajudando a família e aprendendo, desde cedo, o valor do trabalho.

A infância simples, ao lado dos pais e da irmã, moldou o caráter de um homem que mais tarde levaria essa essência para a música. Mas ainda jovem, a vida exigiu mudanças. Aos 12 anos, deixou a casa dos pais para estudar na cidade. Depois, seguiu para Lagoa Vermelha, onde conciliava escola e trabalho. É nesse momento que começa a construção de uma história de superação.

Na verdade eu sou nascido lá na cidade de Paraí, que pertencia a Nova Prata, então os documentos estão Nova Prata, mas eu sou oriundo de Paraí na época minha mãe foi me ter na casa de um padrinho meu era numa cidade de São Jorge que também pertencia à Nova Prata. E depois eu saí de casa com 12 anos pra ter uma caminhada na vida diferente, fui morar em Lagoa Vermelha com meus 13 anos de idade, com 12 fui morar na cidade em Paraí depois com os 12 pra 13 em Lagoa Vermelha é onde fui estudar no Colégio Polivalente lá em Lagoa Vermelha. Eu morei na casa do meu tio Bibiano Rodrigues de Lima e minha tia Dorvina Sutil de Oliveira, em Lagoa Vermelha.

Antes da música, havia outro sonho. Aos 14 anos, Espedito foi até Porto Alegre para tentar a sorte no futebol. Fez teste e foi aprovado no Grêmio. Tinha talento, velocidade e faro de gol. Mas o sonho parou ali. A distância e a preocupação dos pais fizeram com que ele desistisse da carreira.

Eu sempre conto e muitas pessoas não acreditam, porque meu sonho era ser jogador de futebol e fiz teste no Grêmio na época lá em 1981,i e no fim acabei não jogand, pois meus pais não deixaram na época porque era muito longe. A cidade lá onde eu nasci que era o do Paraí que era uma capela São João Bosco Vulgo Cafundó, e é muito distante de Porto Alegre.

Um sonho interrompido… que daria espaço para outro, ainda maior. Já em Caxias do Sul, aos 19 anos, Espedito sentia que precisava mudar o rumo da vida. Foi então que lembrou do avô, um músico muito talentoso. Comprou seu primeiro violão e ali tudo começou. Em poucos meses, já tocava, dava aulas e começava a viver da música.

Com os meus 19 anos de idade que eu pude comprar o meu primeiro violão, trabalhando já na empresa Pettenati, aqui em Caxias do Sul, e lembrei do meu avô, João Rodrigues de Lima, ele era músico ele tocava todos os instrumentos de corda violão violino cavaquinho,  lembrei dele digo vou ser músico!E a partir dali com os 19 eu acompanhei o violão em oito meses eu aprendi a tocar comecei a fazer estudo do violão no Instituto Johann Sebastian Bach, que tinha aqui em Caxias do Sul. E com oito meses eu comecei a tirar meu sustento dos braços de uma guitarra que eu comprei,  e tive meu professor falecido saudoso Evaldo, um grande amigo. Eugênio Fagundes, também dos Piazitos. E pegando, às vezes olhando os outros tocarem e aquilo me despertou e desde essa época que eu comprei um violão não parei nunca mais,  e dali em diante minha vida é a música. Tudo que eu tenho, devo a música. 
Tudo que eu sou até hoje devo a música e ao conjunto dos campeiros.

A música não foi apenas uma escolha. Foi um caminho que transformou sua vida. Antes de criar Os Campeiros, Espedito passou por diversos grupos musicais em Caxias do Sul. Experiência, aprendizado e estrada. Até que, em 1991, nasce oficialmente o grupo que mudaria sua história.

Quando eu estudava música, toquei no grupo Ciganos, aqui de Caxias do Sul, no grupo Os carunos aqui de Caxias do Sul, em uma Banda Missioneiro e Zé Roque e grupo Raça que era uma bandinha de baile e toquei no Embalo Galponeiro, fui fundador do Embalo Galoneiro, antes do Os Campeiros. Em 91 eu fundei Os Campeiros. Fundei a Academia musical Toque Fácil juntamente com o Evaldo e dentro da Academia musical Toque Fácil surgiu o conjunto Os Campeiros

A partir dali, começava uma trajetória de décadas. Nos anos 90, Os Campeiros ganharam destaque no Sul do Brasil, com shows em diversos estados. O primeiro CD, “Um Toque Campeiro”, foi lançado em 1995 e marcou época. Com músicas que viraram sucesso, o grupo conquistou público e ampliou horizontes.

Foi a realização de um sonho muito grande, a realização primeiro disco é o primeiro filho, dificuldades financeiras,e eu lembro muito bem buscando os apoios culturais sou muito grato à uma empresa que nos patrocinou, uma empresa do Paraná. Gostava muito dos nossos bailes e aportou o nosso disco na época acho que na gravadora ACIT custou uns R$ 11.000. Ele bancou e depois quando a gente foi gravar mais uma parte do CD a gente bancou, foi um momento ímpar o primeiro disco. Um toque campeiro.

A vida na música nunca foi fácil. Foram anos de estrada, sacrifícios e muita dedicação.

22, 24 shows teve época que meus filhos eram pequenos e a gente passava Natal, Réveillon saíamos de Caxias e ia pra Santa Catarina e Paraná e por lá ficava de 15 a 20 dias tocando quarta, quinta, sexta, sábado e domingo as épocas boas, áureas, lá em Curitiba por exemplo tinha os clubes Cristal Palace, Flix que tinha música gaúcha na quarta-feira e quinta-feira, e depois vinha o CTGs e então a gente permanecia na estrada. Na verdade praticamente não vi crescer meus filhos.

Mesmo com as dificuldades, a música seguia sendo combustível. Por trás da carreira, sempre houve um pilar fundamental: a família.

A família a base de tudo, porque se você não tem uma esposa que te compreenda, uma família que te entenda, a gente sucumbe. Teve épocas na minha vida no começo nós pagávamos o aluguel do ônibus pra viajar o aluguel do som, pagava o aluguel da sala aonde eu tinha alugado pra dar aula de música, pagava aluguel da casa onde eu morava, pagava aluguel do telefone, e se você não tem uma mulher do teu lado que seja teu braço direito esquerdo e que te dê força tu não segue. Por mais que eu sempre queria que a minha esposa fosse uma empresária da música não consegui fazê-la, mas ela assumiu o lado de cuidar da família, cuidar dos filhos, cuidar do lar e cuidar da cuidar da agenda de todo o lado do escritório, então a família é a base de tudo pode ter certeza disso meu irmão.

Com décadas de experiência, Espedito também reflete sobre o cenário atual da música regional.

A música regional nossa gaúcha, música terrunha, ela é muito restrita, ela não tem uma amplitude muito grande. Nós temos diversos ícones tantos nomes grandiosos que levaram a nossa cultura, a nossa música além fronteiras, hoje tu vê que tem músicos, tem CTGs, por exemplo, em diversas partes do mundo. Mas eu vejo que ela está atravessando um momento complicado, talvez filosofando aqui a humanidade toda está passando um momento de mudanças, e nós estamos nessa fase da música. A música gaúcha é uma música que é difícil dela passar barreiras, ela tem muitos preconceitos, e tem diversas vertentes da música, mas a música gaúcha eu acho que ela é única, ela tem uma melodia própria, tem um jeito de compor diferente, ela tem temas. Então acho que é uma coisa muito rica. E talvez o linguajar seja um pouco difícil de certas partes do país absorver, entender o qual o palavreado que o gaúcho às vezes está dizendo.

Mesmo assim, ele acredita na força da cultura. Com mais de 100 composições, diversos discos e uma carreira consolidada, Espedito segue sonhando, e deixa uma mensagem importante para os músicos que estão começando e até mesmo para os que estão pensando em desistir da carreira.

Eu acho que a gente em todas as profissões devemos ter muita força de vontade, muita garra e ter muita fé em Deus, e foco ser o mais correto possível ser profissional. A música não é fácil mas quando tu faz algo com amor, primeiramente pensa no teu trabalho, em fazer isso como essência, porque quando tu gosta, tu ama, o material vem em segundo plano e ele vai vir, uma hora ou outra ele vai acontecer,  porque nada é de imediato tudo tem que ter persistência, tem que ter foco, humildade e respeito com a tua profissão e com o teu semelhante. Tu quer subir na vida nunca pise no teu semelhante. Tu não pode ajudar, não atrapalhe, e fé!

Da infância no interior ao palco, da tentativa no futebol ao sucesso na música… A história de Espedito Abrahão é, acima de tudo, uma história de persistência, identidade e amor pela cultura gaúcha. Uma trajetória que ecoa em cada acorde… e que segue sendo escrita, dia após dia.

Tags:
  • 40 anos de carreira
  • Espedito Abraão
  • os campeiros
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