Reconhecido como patrimônio imaterial brasileiro desde 2014, o Talian, variante da língua vêneta, ganha força como estratégia para diferenciar e qualificar o turismo na Serra Gaúcha. Falado por descendentes de imigrantes italianos no Sul do Brasil e no Espírito Santo, o idioma passou a ser visto por gestores e empreendedores da região serrana como um ativo cultural capaz de agregar valor à experiência do visitante.
Especialistas defendem que o uso do Talian fortalece o turismo de base comunitária e ajuda a descentralizar o fluxo de visitantes, levando-os para distritos e pequenas propriedades onde a língua ainda é viva no cotidiano. É o caso do ex-secretário do Turismo de Caxias do Sul, João Tonus, que é um forte trabalhador para a salvaguarda do idioma.
A proposta é ir além do vinho e da gastronomia. Ao incorporar o Talian em roteiros, sinalização, atendimento e manifestações culturais, destinos da região buscam oferecer uma imersão autêntica na história da imigração.
Serafina Corrêa foi o primeiro dos 30 municípios a co-oficializar o Talian, por isso, ganhou o título de Capital Nacional do Talian. Várias ações são feitas pelo município para promover a salvaguarda da língua, como projetos, associação de comunicadores, e eventos. A secretária de Turismo e Cultura, Fernanda Tapparo, explica que no setor do turismo, a língua Talian vem ganhando mais força nos últimos tempos em Serafina Corrêa.
Quando se fala em cultura italiana no Brasil, Antônio Prado sempre é citada como referência, já que leva o título de cidade mais italiana do Brasil. O destino é famoso por abrigar o maior acervo arquitetônico da imigração italiana do país, com 48 edificações tombadas pelo IPHAN. A cidade foi selecionada pela ONU Turismo como uma das Melhores Vilas Turísticas do Mundo. Justamente para manter a cultura do idioma Talian viva nas gerações mais novas, o município promove projetos de salvaguarda nas escolas. Em roteiros, cardápios, filós e placas, Antônio Prado destaca a língua Talian, como o explica o secretário do Turismo, Henrique Sottoriva.
Para Sottoriva, incentivar o aprendizado do Talian nas novas gerações é proveitoso para o turismo, pois é uma identidade local que o turista gosta de vivenciar.
João Tonus lembrou que vários guias turísticos já participaram de cursos de Talian para poder aprimorar seu conhecimento do idioma.
Vinícolas familiares do interior já recebem turistas com saudações em Talian, enquanto restaurantes resgatam receitas acompanhadas de causos e expressões típicas. Eventos como a Fenavinho, a Festa da Uva e festas de comunidades do interior têm ampliado a presença da língua em apresentações musicais, teatro e literatura oral. Um caso, em Caxias do Sul, é das Casas Bonnet. Um dos colaboradores do local, Lucas Tonietto, explica como o Talian é utilizado nas atividades. Segundo ele, o turista gosta muito de experienciar tudo que envolva a cultura da imigração italiana, inclusa a língua.
A aposta da Serra é transformar o Talian em ponte entre passado e futuro. Mais que um sotaque ou curiosidade, a língua se apresenta como narrativa capaz de contar a identidade regional de forma única, gerando pertencimento para quem vive aqui e encantamento para quem visita.
