Os blocos de Carnaval de rua de Caxias do Sul iniciaram um movimento de articulação coletiva com o objetivo de discutir desafios comuns e ampliar o diálogo com o poder público. A iniciativa surgiu de uma reunião realizada em maio, a partir da percepção de que os eventos carnavalescos gratuitos, abertos à participação da comunidade, vêm sendo tratados de forma semelhante a festas privadas e eventos com cobrança de ingressos. Segundo o idealizador do Bloco da Velha, Guilherme Martinato, essa falta de distinção gera uma série de dificuldades para a realização dos blocos, que possuem menos recursos e dependem da ocupação dos espaços públicos para promover manifestações culturais acessíveis à população.
A mobilização ganhou força após uma reunião realizada junto ao Conselho Municipal de Cultura, que reuniu representantes de diversos blocos e resultou na criação de um grupo de trabalho para fortalecer a comunicação entre os organizadores, a sociedade civil e o poder público. Conforme Martinato, a proposta não é reivindicar recursos financeiros diretos, mas construir alternativas que facilitem a realização dos eventos e garantam maior compreensão sobre a importância do Carnaval de rua para a cidade. A expectativa é que a articulação contribua para reduzir entraves burocráticos e incentive o surgimento de novos blocos e iniciativas culturais em Caxias do Sul.
De acordo com Martinato, uma das principais pautas definidas pelo grupo é a elaboração de um decreto municipal que estabeleça regras específicas para os blocos de rua, seguindo modelos já adotados em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.
O encontro reuniu representantes dos nove blocos atualmente em atividade em Caxias do Sul: Bloco da Velha, Bloco da Ovelha, Desorkestra Montanhosa, Bloco da Farofada, Bloco da Mulekada, Bloco Viva Elas, Bloco Arco-Íris, Bloco Samba Show e Acadêmicos do Luizinho. Na semana passada, integrantes da articulação também estiveram na Câmara de Vereadores, onde apresentaram as primeiras reivindicações ao presidente do Legislativo, Wagner Petrini (PSB).
Além da proposta de regulamentação, o grupo pretende debater medidas que contribuam para a segurança, a organização e a adequação dos eventos às características dos blocos de rua. Martinato destaca que a iniciativa não tem como foco a obtenção de recursos públicos para os desfiles, mas sim a construção de mecanismos que garantam maior reconhecimento, respaldo institucional e condições mais adequadas para a realização das atividades.
Entre os próximos passos definidos após a reunião no Legislativo está a realização de um novo encontro nas próximas semanas. A proposta é reunir representantes do Executivo, incluindo o prefeito e integrantes das secretarias de Cultura, Turismo, Trânsito e Segurança Pública.
