Uma pesquisa desenvolvida pela professora e pesquisadora da PUCRS, Izete Bagolin, identificou mudanças no perfil de aspirações da juventude brasileira, especialmente em relação ao trabalho, educação e projetos de vida. O estudo analisou como fatores socioeconômicos influenciam as escolhas e perspectivas dos jovens em diferentes contextos sociais.
Conforme a pesquisadora, a principal constatação é que as novas gerações têm priorizado qualidade de vida, propósito e bem-estar nas decisões profissionais, diferentemente de gerações anteriores, mais voltadas à estabilidade financeira e ascensão patrimonial.
“Os jovens demonstram uma busca maior por significado nas trajetórias profissionais e pessoais. Há uma valorização do equilíbrio entre vida pessoal e trabalho”, afirmou Izete durante entrevista ao podcast PoddaGente.
A pesquisa foi realizada a partir de um edital nacional financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e teve como objetivo auxiliar na formulação de políticas públicas voltadas à juventude.
O levantamento também apontou mudanças na relação dos jovens com o mercado de trabalho. Segundo Izete, cresce a resistência a modelos tradicionais de carreira, marcados pela permanência prolongada em uma mesma empresa e jornadas consideradas incompatíveis com qualidade de vida.
Outro aspecto identificado no estudo é a importância das redes de apoio na construção das aspirações juvenis. Família, professores e círculos de convivência aparecem como agentes fundamentais no processo de tomada de decisão.
“A pesquisa mostra que os jovens valorizam autonomia, mas também a possibilidade de compartilhar escolhas e receber apoio ao longo da trajetória”, explicou.
Apesar do avanço de cursos rápidos e de novas formas de qualificação profissional, o estudo indica que a educação formal continua sendo considerada relevante. Conforme a pesquisadora, cursos de curta duração e ferramentas tecnológicas são vistos como complementares à formação tradicional.
A análise também evidencia diferenças entre jovens de distintos contextos econômicos. Entre aqueles em situação de maior vulnerabilidade social, as aspirações seguem mais ligadas à estabilidade financeira, moradia e mobilidade social. Já entre jovens de classes com maior renda, predominam preocupações relacionadas ao bem-estar e realização pessoal.
Para Izete Bagolin, compreender as transformações no comportamento das novas gerações é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias educacionais mais alinhadas à realidade da juventude brasileira.
