A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul vai debater os trabalhos executados pela Aegea/Corsan através de uma Comissão Especial, que iniciou seus trabalhos no dia 11 de maio. A empresa atende 317 cidades gaúchas, onde quase a totalidade de municípios serranos são de competência da concessionária. Apenas Caxias do Sul, que possui serviço próprio de tratamento da água e do esgoto, não é atendido pela multinacional. As reclamações desde a privatização da estatal são inúmeras, a ponto de Câmaras de Vereadores, como Farroupilha e Bento Gonçalves, criarem frentes parlamentares para buscarem formas de denunciar e auxiliar moradores.
Nos últimos meses, o Samae entrou nessa polêmica. Isso porquê, o Estado tem um projeto de regionalização do saneamento e, por sua vez, conceder à iniciativa privada. No processo, estaria incluído o Samae, algo que foi negado pelo Governador Eduardo Leite (PDS). Ainda assim, a presidente da comissão especial, Stela Farias (PT), afirma que a iniciativa começará a tramitar no legislativo gaúcho após as eleições. Algo que a parlamentar considera uma tragédia ao Rio Grande do Sul.
A deputada iniciou as suas agendas pela comissão especial por municípios da Serra, onde Stela aponta que as expectativas eram ruins. O cenário descrito pela parlamentar é preocupante, em Ipê apenas um dos 10 poços de captação de água está operando e também contas exorbitantes, como a de um morador que chegou a R$ 22 mil. Posto isso, Stela afirma que é necessário união para conseguir mudar a realidade.
A Comissão Especial não tem poder de uma CPI, mas deve entregar um relatório até o mês de setembro. A deputada espera que uma ação civil-pública possa ser organizada, afim de que o Ministério Público do Rio Grande do Sul investigue a concessionária Aegea. Duas audiências públicas devem ocorrer na Serra, antes da finalização do relatório. A primeira está marcada para o dia 16 de junho, em Ipê; no dia seguinte, a cidade de Vacaria também será ouvida pelos deputados.
