Neste domingo (26), o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial reforça o alerta para uma doença silenciosa que segue entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Dados recentes indicam que cerca de 1,3 bilhão de pessoas são hipertensas globalmente. No país, as doenças cardiovasculares provocaram aproximadamente 400 mil mortes em 2024 — uma média de 1,1 mil óbitos por dia.
O cardiologista da Unimed Serra Gaúcha, Dr. Jaime Luiz Dannenhauer, chama atenção para a necessidade de diagnóstico precoce e atualização das estratégias de tratamento. Segundo ele, embora o critério para hipertensão permaneça o mesmo — pressão arterial igual ou superior a 140 por 90 mmHg —, houve avanço nas diretrizes voltadas à chamada pré-hipertensão.
Esse estágio é caracterizado por níveis entre 120 a 139 (sistólica) e 80 a 89 (diastólica). “A recomendação atual é intervir mais cedo, antes que o quadro evolua. A meta é reduzir esses índices para abaixo de 13 por 8, com mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, tratamento medicamentoso”, explica.
Outro ponto destacado pelo especialista é o caráter assintomático da doença. “A hipertensão, na maioria das vezes, não apresenta sintomas. Isso dificulta o diagnóstico e faz com que muitos pacientes só descubram a condição após complicações mais graves”, afirma.
Queda de temperatura eleva risco cardiovascular
A chegada do outono acende um sinal de atenção adicional. As temperaturas mais baixas e o ar seco contribuem para a contração dos vasos sanguíneos, elevando a pressão arterial e aumentando o risco de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O cardiologista Dr. Francisco Michelin destaca que há evidências consistentes sobre o impacto do frio na saúde cardiovascular. “Estudos mostram aumento de 25% a 30% na incidência de eventos cardiovasculares durante períodos mais frios”, afirma.
Segundo ele, a vasoconstrição — resposta natural do organismo para preservar calor — aumenta a resistência dos vasos e sobrecarrega o coração. Além disso, o frio estimula a liberação de adrenalina, o que intensifica esse efeito.
Prevenção e monitoramento são fundamentais
Especialistas reforçam que a prevenção ainda é a principal estratégia para reduzir complicações. A orientação inclui consultas regulares, monitoramento da pressão arterial e controle de fatores de risco como colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo.
Durante os meses mais frios, os cuidados devem ser intensificados, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas. Entre as recomendações estão evitar exposição prolongada ao frio, manter o corpo aquecido, hidratar-se adequadamente e evitar mudanças bruscas de temperatura.
“Acostumar com pressão alta” é mito perigoso
Outro alerta importante é sobre a falsa percepção de que o organismo pode se adaptar à pressão elevada. “Não existe isso. A pessoa pode não sentir nada, mas os danos continuam acontecendo. É um risco silencioso e cumulativo”, ressalta Michelin.
A data deste domingo busca ampliar a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce e da adoção de hábitos saudáveis. A orientação dos especialistas é clara: medir a pressão regularmente e procurar acompanhamento médico são medidas essenciais para evitar complicações graves e salvar vidas.
