
Neste domingo (29) é celebrado pelos cristãos o Domingo de Ramos. A data lembra a entrada triunfante de Jesus Cristo em Jerusalém. O filho de Deus foi aclamado pelo povo aos gritos de “Hosana ao Filho de Davi”, sendo reconhecido como o messias prometido. Ele foi a Jerusalém para celebrar a páscoa, que, no calendário judaico, aconteceria no sábado seguinte, e lembra o período de passagem de escravidão do povo hebreu no Egito para a Terra Prometida.
Jesus chegou montado em um jumento e foi recebido com ramos de palmeiras pelas ruas da cidade sagrada. O Domingo de Ramos relembra o acontecido e marca o início da Semana Santa.
A Semana Santa é a mais importante do calendário litúrgico da Igreja Católica, pois nela se recorda os últimos acontecimentos da vida terrena de Jesus, especialmente a sua Paixão, Morte e Ressurreição. Também chamada de “Semana Maior”, ela marca o ápice da história da salvação para os cristãos. As celebrações da Semana Santa seguem um cronograma que revive os últimos passos de Jesus Cristo.
O bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom José Gislon, explica que hoje em dia o ramo de oliveira é o mais usado no Domingo de Ramos. A oliveira representa a árvore da vida. Além disso, após o episódio do dilúvio, quando segundo a bíblia o mundo todo foi alagado por Deus, uma pomba sinaliza que as águas baixaram, ao voltar com um ramo no bico.
Dom José explica que a celebração faz parte do período quaresmal, iniciado na Quarta-feira de Cinzas e que segue por 40 dias dedicados à preparação espiritual para a celebração da Páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo. Para a Igreja Católica, é um tempo de conversão, reflexão e penitência, inspirado nos 40 dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar seu ministério público. A quaresma inicia na Quarta-feira de Cinzas e se encerra na tarde da Quinta-feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor. Isso porque os domingos da Quaresma não são contados como dias de jejum e penitência, pois na tradição cristã o domingo sempre é dia solene em que se celebra a ressurreição de Cristo.
Na quaresma, o bispo aponta que os cristãos são convidados a fazer um caminho intenso, marcado pela oração, pelo jejum e por gestos de caridade. Acrescenta que se trata de uma caminhada de conversão e de mudanças na vida através da espiritualidade.
Ele destaca que a caminhada quaresmal não é apenas uma reflexão interior, mas também de comunhão com os irmãos, em proximidade com a misericórdia e a compaixão de Deus.
A glória do Domingo de Ramos precedeu a dor da caminhada para o calvário. O bispo pontua que da mesma forma a vida dos cristãos é marcada por alegrias, mas também por provações ao longo dos anos.
Na Segunda, Terça e Quarta-feira Santas a liturgia apresenta e medita sobre os ensinamentos finais de Jesus e a traição de Judas. Na Quinta-feira Santa, pela manhã, ocorre a celebração da Missa do Crisma, celebrada pelo bispo junto a todos os sacerdotes da Diocese. São abençoados o óleo do Batismo, que será usado para ungir todos os que serão batizados durante o ano; o óleo dos Enfermos, que é usado para o sacramento da Unção dos Enfermos; e também o óleo do Santo Crisma, que é usado para a celebração do Sacramento da Crisma.
À noite, inicia-se o Tríduo Pascal com a Missa da Ceia do Senhor, celebrando a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, e recordando o gesto do Lava-pés, que Jesus realizou na sua Última Ceia com os doze Apóstolos
A Sexta-feira Santa, dia da crucificação de Cristo, marca um momento de reflexão. É único dia do ano em que não se celebra a Missa. Acontece a Celebração da Paixão do Senhor, com a leitura do Evangelho, a adoração da cruz, a distribuição da comunhão e as procissões com o Senhor Morto e a Via Sacra.
Durante o dia, a Igreja permanece em silêncio e oração, meditando sobre o mistério da sepultura de Jesus. À noite, celebra-se a grande Vigília Pascal, a maior celebração da Igreja, quando se proclama a Ressurreição de Cristo.
O Tríduo é encerrado no Domingo de Páscoa, dia da Ressurreição de Cristo, que marca a vitória da vida sobre a morte.
A celebração da Páscoa cristã representa a Ressurreição ao terceiro dia após sua crucificação, mostrando que a vida não termina aqui.
A Páscoa cristã segue um calendário lunar, ocorrendo sempre no primeiro domingo após a primeira lua cheia do outono no hemisfério sul. Dom José ressalta que a data é a maior celebração do cristianismo.
Neste ano, a Páscoa será celebrada no dia 5 de abril. Em Caxias do Sul, a celebração do Tríduo Pascal tem a tradicional procissão do Cristo Morto na Sexta-feira da Paixão, pelas ruas centrais da cidade, com grupos vindos de diferentes paróquias, que se encontram em procissão em frente à Catedral, para ouvir a homilia de Dom José Gislon e a oração sobre o povo.
Além disso, na data, ocorre a encenação da Via Sacra, os últimos passos de Cristo antes de sua morte. O evento ocorre no Parque de Eventos Mário Bernardino Ramos, junto ao Monumento Jesus Terceiro Milênio.


