O aumento do diesel ao longo de 2026, com alta acumulada superior a 19%, começa a impactar diretamente o preço dos alimentos nos supermercados. Embora o consumidor ainda não sinta de forma generalizada o reajuste nas prateleiras, o setor já opera sob pressão, com custos logísticos mais elevados e expectativa de repasse inevitável no curto prazo.
O principal fator por trás desse cenário é o transporte. Em um país onde a logística depende majoritariamente das rodovias, o encarecimento do combustível afeta o frete. Segundo o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Júnior, os custos de transporte já subiram cerca de 11%, refletindo em um aumento médio de 3% a 5% no custo final dos produtos.
Esse impacto não se limita à distribuição. A alta do diesel também encarece a produção agrícola, desde a colheita até o transporte de insumos como soja e milho, base da ração animal. O efeito é sentido em cadeia, atingindo diretamente itens essenciais como carnes, leite, ovos, arroz e produtos hortifrutigranjeiros.
Efeito deve ser sentido nas próximas semanas
Apesar disso, o impacto ainda não chegou de forma plena ao consumidor final. Segundo Peruzzo, isso ocorre porque os supermercados trabalham, em média, com estoques de até 30 dias, adquiridos antes das últimas altas. No entanto, a reposição já acontece com preços maiores, o que deve resultar em reajustes nas próximas semanas.
Diante desse cenário, o mercado passa a adotar um comportamento defensivo. Empresas antecipam compras para formar estoques, enquanto fornecedores e postos ajustam preços prevendo reposições mais caras. Esse movimento cria um efeito cascata, elevando custos operacionais e ampliando a pressão inflacionária em toda a cadeia.
Mesmo com esforços para conter os custos — como otimização de rotas e negociação com fornecedores —, o setor vê pouco espaço para absorver novos aumentos. A tendência é de que a inflação dos alimentos se intensifique, com possíveis reflexos também na regularidade do abastecimento, especialmente em regiões mais distantes dos grandes centros logísticos.
