Caxias do Sul é reconhecida nacionalmente pela força da sua indústria e, cada vez mais, também pela presença ativa no comércio internacional. A importação e a exportação fazem parte do dia a dia de muitas empresas da Serra Gaúcha e influenciam diretamente a geração de empregos, o crescimento econômico e até o preço dos produtos que chegam ao consumidor.
Mas afinal, o que significam esses processos e como eles impactam a economia local? É isso que a gente explica agora em nossa reportagem especial.
Para entender todo o processo da importação e da exportação, conversamos com o Diretor de Comércio Exterior na Efficienza Negócios Internacionais, e ainda membro do Conselho de Comércio Exterior (CONCEX), Rafael Pinto Vanin, que é Graduado em Ciência da Computação pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).
Rafael começou explicando o que é importação e exportação.
A importação e a exportação nada mais são do que a comercialização de bens e serviços entre países. Quando o Brasil compra produtos do exterior, estamos falando de importação. Já quando empresas brasileiras vendem seus produtos para outros países, ocorre a exportação. Em Caxias do Sul, esse movimento é especialmente forte por conta do perfil industrial da cidade, que possui empresas competitivas e consolidadas no mercado internacional, ocupando posições relevantes dentro do cenário brasileiro de comércio exterior.
Para vender ao exterior, as empresas precisam apresentar seus produtos ao mercado internacional. Isso pode acontecer por meio de parcerias comerciais, prestadores de serviço especializados ou participação em feiras internacionais, onde os empresários expõem aquilo que produzem e buscam novos compradores.
Rafael também explica como que funciona uma negociação internacional
Após despertar o interesse do mercado, entra uma etapa considerada essencial: contar com parceiros especializados em comércio exterior, capazes de lidar com normas internacionais, documentação e exigências legais, evitando problemas burocráticos. No caso da importação, o processo é semelhante, mas com foco na busca por produtos mais competitivos ou itens que não são facilmente encontrados no mercado nacional. Muitas empresas começam trazendo amostras para testes de qualidade e viabilidade econômica antes de iniciar compras em grande escala. Antes disso, porém, é necessário cumprir exigências legais, como a habilitação junto à Receita Federal, conhecida como Radar, que autoriza a empresa a operar no comércio internacional.
Caxias do sul, ocupa a posição de numero 89 no ranking de exportações no Brasil, Rafael explica o quanto isso impacta diretamente na economia da nossa cidade.
Os números mostram a importância do comércio exterior para a cidade. Em 2025, Caxias do Sul exportou cerca de 841 milhões de dólares, enquanto as importações ficaram próximas de 491 milhões de dólares.
O resultado foi um superávit na balança comercial de quase 350 milhões de dólares, indicando que a cidade vende mais ao exterior do que compra. Esse cenário é considerado positivo porque gera riqueza, fortalece a indústria e amplia a criação de empregos diretos e indiretos.
No ranking nacional, Caxias do Sul alcançou posições expressivas: ficou entre os principais municípios exportadores do Brasil e também apresentou destaque nas importações, consolidando sua relevância no comércio internacional.
Rafael citou quais os produtos que mais foram exportados para outros países e falou sobre os principais parceiros comerciais.
O setor automotivo lidera as exportações da cidade. Entre os principais produtos vendidos ao exterior estão: Carrocerias para ônibus e veículos pesados, reboques e semirreboques, peças, acessórios automotivos e maquinários industriais. Esses itens refletem a vocação industrial da região, conhecida pela produção metalmecânica e pela tecnologia aplicada à indústria. A maior parceira comercial de Caxias do Sul é a Argentina, beneficiada pelos acordos do Mercosul, que permitem preferência tarifária e, em muitos casos, redução ou até isenção do imposto de importação entre países do bloco.
Na sequência aparecem: Chile, como segundo principal destino das exportações e Estados Unidos, ocupando o terceiro lugar Apesar da forte concentração na América Latina, as empresas caxienses vêm ampliando presença em outros continentes.
Questionado Rafael explicou o quanto a variação cambial impacta diretamente os negócios.
A variação cambial impacta diretamente o planejamento das empresas. Quando o dólar apresenta grande volatilidade, muitas organizações optam por adiar investimentos ou aguardar maior estabilidade antes de importar máquinas e equipamentos de alto valor. Já produtos essenciais, como peças e insumos industriais, continuam sendo importados mesmo em cenários instáveis, pois são fundamentais para manter a produção ativa.
Para reduzir custos, empresas utilizam mecanismos como o drawback, um benefício fiscal que permite importar insumos com suspensão ou isenção de tributos quando eles serão utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.
O diretor da Concex, ainda falou sobre a parte burocrática enfrentada pelas empresas
A burocracia ainda é considerada uma das principais barreiras do comércio exterior brasileiro. Diversos órgãos participam dos processos, como Receita Federal, Ministério da Agricultura e Anvisa, dependendo do tipo de produto negociado. No entanto, mudanças recentes vêm trazendo avanços. Desde 2018, o governo federal iniciou um novo modelo de importação que passou a ganhar força a partir de 2024, com a implementação da Declaração Única de Importação.
Hoje, os dados são integrados entre os órgãos fiscalizadores e as análises ocorrem de forma paralela, reduzindo etapas e tornando o processo mais ágil. Em 2026, novas ampliações do sistema e os primeiros efeitos da reforma tributária também começaram a impactar as operações das empresas.
Sobre a precificação dos produtos, Vanin explica o quanto tudo influencia no preço final ao consumidor.
O comércio internacional também chega ao bolso do consumidor. Entre os principais fatores que influenciam os preços estão: A cotação do dólar, custos logísticos,internacionais, valor do frete marítimo e tributos e benefícios fiscais aplicados Durante a pandemia, por exemplo, o frete internacional teve aumento expressivo, com containers vindos da China chegando a custar entre 15 e 17 mil dólares, impactando diretamente o preço final das mercadorias. Para manter competitividade, empresas buscam incentivos fiscais e regimes especiais que reduzam a carga tributária, permitindo que os produtos cheguem ao mercado com valores mais acessíveis
Mesmo sem aparecer diariamente no noticiário, a importação e a exportação são pilares fundamentais da economia de Caxias do Sul. Elas fortalecem a indústria, ampliam mercados, incentivam inovação e ajudam a gerar empregos em toda a cadeia produtiva.
Em um cenário global cada vez mais conectado, a cidade segue consolidando seu espaço no comércio internacional, mostrando que a força industrial da Serra Gaúcha ultrapassa fronteiras e contribui diretamente para o desenvolvimento econômico da região.
