O Rio Grande do Sul começou 2026 com 11 feminicídios registrados, nas primeiras semanas do ano. O número acende alerta, após 2025 ter encerrado com 80 mortes, por razões de gênero deixando pelo menos 660 crianças ou adolescentes órfãos no Estado. Com a proximidade do Carnaval, período associado ao aumento de ocorrências, as forças de segurança estão reforçando a atenção para casos de violência doméstica e sexual.
Um relatório da Câmara dos Deputados aponta que o Rio Grande do Sul vive um dos períodos mais críticos no enfrentamento à violência contra a mulher, com 22 assassinatos, em menos de dez meses.
Em entrevista para o Jornal da Caxias desta quinta-feira (12), a titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Caxias do Sul, delegada Thalita Andrich, afirmou que a maioria dos casos está relacionada ao término de relacionamentos.
Segundo a delegada, cresce também a gravidade das agressões, que atingem não apenas companheiras e ex-companheiras, mas também familiares. Há ainda aumento nas denúncias de violência psicológica, crime tipificado recentemente.
Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que Caxias do Sul registrou um feminicídio consumado e 16 tentativas em 2025, além de 75 casos de estupro e 758 ocorrências de lesão corporal por violência doméstica.
Segundo a delegada, as medidas protetivas da Lei Maria da Penha seguem como principal ferramenta de prevenção, representando um avanço importante no combate à violência contra mulher.
A delegada informa que a Polícia Civil observa aumento de casos em feriados prolongados, verão e datas festivas, quando o consumo de álcool e a convivência intensificada potencializam conflitos, cenário que preocupa com a chegada do Carnaval. Por conta disso, operações especiais estão em andamento, como o movimento “Não Maquie, denuncie” e, inclusive, com cumprimento de mandados, apuração de denúncias e reforço na prevenção à violência sexual.
Em Caxias do Sul, mulheres podem procurar a Deam, a Delegacia de Pronto Atendimento ou a Delegacia Online, além da Sala das Margaridas, do Centro de Referência da Mulher e da Casa Viva Raquel, que acolhe mulheres e filhos em situação de risco.
Confira aqui a entrevista completa.
