A violência contra a mulher apresenta índices elevados nos últimos anos no Rio Grande do Sul. Apenas no mês de janeiro de 2026, foram registrados 11 feminicídios em 29 dias no Estado. Dados divulgados pela Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SMASC) e pela Secretaria Municipal da Saúde de Caxias do Sul apontam que, entre julho e dezembro de 2025, foram registradas 381 notificações de violência doméstica e outras formas de agressão contra mulheres no município.
O monitoramento indica que novembro foi o período mais crítico, com 73 ocorrências registradas, seguido por setembro, com 55 casos. Entre os tipos de violência relatados, a violência moral aparece com maior incidência, representando 41,73% das notificações, seguida pela violência psicológica, com 22,39%, e pela física, com 18,32%. Dados da Casa de Apoio Viva Rachel, que acolhe mulheres em situação de risco extremo, revelam que 91% das acolhidas sofreram violência psicológica, 72% agressões físicas, 70% violência moral e 91% estavam sob risco de morte ou ameaças graves.
Em relação aos boletins de ocorrência, na comparação entre janeiro de 2026 e o mesmo período de 2025, foram registrados 175 casos neste ano, frente a 259 no ano anterior, o que representa uma redução de 32%. A coordenadora da Coordenadoria da Mulher de Caxias do Sul, Jeane Carla Schulz, ressalta que a diminuição dos registros não significa redução da violência, mas pode indicar que as mulheres estão buscando apoio mais cedo na rede de proteção. Segundo ela, os atendimentos são realizados de forma integrada, com acolhimento por diferentes áreas de atuação.
Somente o Centro de Referência da Mulher (CRM), vinculado à Secretaria, realizou 1.002 atendimentos, sendo 63,87% de forma online e 36,13% presenciais. Diante do perfil das mulheres que buscam ajuda, aquelas com idades entre 31 e 40 anos representam 35% dos acolhimentos, enquanto 60% das mulheres que buscaram acolhimento institucional estão inscritas no Cadastro Único e 44% são beneficiárias do Programa Bolsa Família.

