O mercado do arroz no Brasil passa por um período de retração nos preços, movimento que, segundo economista, está diretamente ligado às próprias características do setor e ao atual cenário econômico nacional e internacional. A avaliação é de que o grão opera próximo de um mercado de concorrência, com muitos produtores, consumidores e um produto similar, o que o torna sensível às leis de oferta e demanda.
De acordo com Mosar Leandro Ness, professor e economista, apesar de a área plantada ter sido menor nesta safra, a produtividade foi considerada boa. Juntamente a isso, o país já conta com estoques disponíveis, enquanto a demanda, tanto no mercado interno quanto nas exportações, permanece estável. Essa desproporção resulta em excesso de oferta, fator central para a pressão de queda nos preços.
No mercado internacional, os preços também estão em baixa, influenciados pela desaceleração da economia chinesa, que vem reduzindo o consumo de alimentos. Internamente, a renda do trabalhador cresce pouco, o que limita o aumento do consumo.
O economista também chama atenção para as importações realizadas pelo Brasil a partir de acordos no Mercosul. Na sua avaliação, essas compras externas são desnecessárias no atual contexto de oferta elevada, mas acabam sendo mantidas por razões políticas, o que amplia mais ainda mais a disponibilidade do produto no mercado interno.
Após um período de alta entre 2020 e 2022, o preço do arroz agora retorna ao patamar de longo prazo. Mosar conclui que a expectativa é de mais uma boa safra em 2026, o que deve manter os preços estáveis ao longo do ano.
O cenário é positivo para o consumidor, mas preocupa os produtores, que enfrentam menor rentabilidade e podem depender de políticas como o preço mínimo para manter a produção nas próximas safras.
