O verão aumenta o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika, e mobiliza ações de reforço no combate aos criadouros pela Secretaria Municipal de Vigilância Ambiental em Saúde em Caxias do Sul. O alerta ocorre em um contexto nacional de atenção elevada para a dengue: embora o Brasil tenha registrado redução pontual de casos em 2025 na comparação com 2024, o volume de notificações segue alto e continua pressionando o sistema de saúde nos meses mais quentes do ano.
De acordo com a pasta, o período entre dezembro e maio é considerado o mais crítico devido às altas temperaturas, às chuvas e ao aumento da circulação de pessoas durante as férias — fatores que favorecem a transmissão do vírus, especialmente em áreas urbanas. Especialistas reforçam que a dengue tem comportamento cíclico e que quedas temporárias nos números não significam o fim da circulação do vírus.
Segundo a médica veterinária da Vigilância Ambiental, DelvairZortéa da Silva, o ciclo do mosquito é acelerado nesta época do ano. “De ovo a mosquito adulto, o ciclo leva em média nove dias. Por isso, é fundamental que a população faça uma vistoria semanal em casa e no local de trabalho para eliminar focos de água parada”, afirma.
Para monitorar a infestação, o município mantém cerca de 230 armadilhas instaladas em todos os bairros e realiza, quatro vezes ao ano, o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). Os dados permitem identificar as chamadas áreas quentes, com maior concentração do vetor, e direcionar as ações das equipes de agentes de endemias. “A partir dos índices entomológicos, priorizamos as regiões com maior risco de transmissão”, explica.
Além disso, a Vigilância Ambiental mantém vistorias periódicas em pontos estratégicos, como cemitérios, borracharias, ferros-velhos e indústrias, com inspeções a cada 15 dias. Também são realizadas visitas em casos suspeitos e aplicação de inseticida residual em prédios públicos com grande circulação de pessoas e veículos.
Apesar do cenário nacional de atenção, não há registro de casos positivos de dengue em 2026 no município até o momento. A Vigilância, porém, ressalta que o pico da doença costuma ocorrer entre o fim de fevereiro e os meses de abril e maio, quando a infestação do mosquito aumenta.
Em nível nacional, a aprovação da vacina Butantan-DV, primeiro imunizante de dose única contra a dengue produzido no Brasil, representa um avanço importante no enfrentamento da doença e deve ser incorporada ao Programa Nacional de Imunizações a partir de 2026. Especialistas, no entanto, alertam que a vacinação não substitui as ações de controle do mosquito e de prevenção. A eliminação de criadouros segue sendo essencial para reduzir a transmissão e evitar casos graves.
A principal medida de prevenção continua sendo a eliminação de focos. A orientação é manter caixas d’água bem vedadas, armazenar pneus em locais cobertos, colocar areia nos pratos de plantas, trocar e higienizar a água de bebedouros de animais e evitar o acúmulo de água em baldes, calhas e recipientes. “O controle mecânico, eliminando os focos, é a forma mais eficaz e barata de interromper o ciclo do mosquito”, destaca Delvair.
A Vigilância também orienta cuidados com animais peçonhentos, como escorpiões e aranhas, comuns no verão, recomendando a limpeza de pátios, eliminação de entulhos, corte de grama e revisão de roupas e calçados antes do uso.
Denúncias de focos do mosquito podem ser feitas pelo telefone 156.
