As inscrições para o concurso da Polícia Civil do Rio Grande do Sul foram encerradas na última semana com uma queda superior a 40% no número de candidatos em comparação ao último certame. Neste ano, 25.466 pessoas se inscreveram, contra 44.238 no concurso realizado em 2018. Para o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (UGEIRM), a redução confirma a perda de atratividade da carreira, atribuída ao sucateamento da instituição, à retirada de direitos e ao arrocho salarial enfrentado pela categoria.
A entidade avalia que a menor procura por vagas pode impactar a qualidade dos serviços prestados à população, diante da dificuldade de reposição dos quadros e da redução da concorrência. Conforme o vice-presidente do UGEIRM, Fábio Castro, há urgência na valorização dos policiais civis. Segundo ele, o cenário atual é resultado da política adotada pelo governo estadual nos últimos anos, e a entidade cobra do governador mudanças efetivas.
De acordo com o sindicato, há ausência de uma política salarial consistente, com reajustes inferiores a 20% ao longo dos últimos anos, além do aumento dos custos do IPE Saúde e de problemas estruturais em prédios da Polícia Civil.
Em Caxias do Sul, o UGEIRM já denunciou anteriormente a precariedade estrutural da 1ª Delegacia de Polícia e da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Nos últimos meses, o prédio da 1ª DP registrou dois alagamentos, com infiltrações e perdas materiais que comprometeram o andamento de investigações. A DPCA enfrenta problemas semelhantes, conforme constatado por dirigentes do sindicato em vistoria realizada no fim de junho.
