Após a autorização da Justiça para o repasse das caixas com itens doados pelos Estados Unidos e por empresas gaúchas às vítimas das enchentes, apreendidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (GAECO/MPRS), na última sexta-feira (19), um termo de doação permitiu o repasse dos produtos às prefeituras de Caxias do Sul e de Bento Gonçalves. Os materiais, contendo roupas, fraldas, mamadeiras e outros itens, serão destinados a creches e abrigos das duas cidades da região.
O termo foi assinado por integrantes das duas prefeituras e pelos promotores de Justiça Adrio Gelatti, em Caxias do Sul, e Carmem Lúcia Garcia, em Bento Gonçalves. Com a medida adotada, os bens apreendidos foram entregues às administrações municipais para garantir que cheguem às famílias em situação de vulnerabilidade. Conforme a investigação, as doações destinadas às vítimas das enchentes que atingiram o Estado no ano passado teriam sido desviadas por meio de um esquema que envolvia a comercialização dos itens em brechós e Organizações Não Governamentais (ONGs), com o uso de “laranjas”, que recebiam pagamentos via PIX em nome de terceiros.
Parte do dinheiro arrecadado teria sido utilizada para a aquisição de veículos, um apartamento e outros bens pela principal investigada. Oito suspeitos, três deles da mesma família, e uma pessoa jurídica são alvos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul, além do bloqueio de contas bancárias no valor de R$ 2 milhões. A investigação segue em andamento e apura os crimes de apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro, praticados em contexto de calamidade pública.
