A Polícia Civil, por meio da 3ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (3ª DIN/Denarc), deflagrou nesta quinta-feira (19) a Operação Camisa 2, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida com o tráfico de drogas, criada no bairro Bom Jesus, na zona leste de Porto Alegre.
A ofensiva policial resultou no cumprimento de 59 mandados de prisão preventiva, 94 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de 16 contas bancárias e do sequestro de seis veículos. As ordens judiciais foram executadas no Rio Grande do Sul e também nos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Até o momento, 50 pessoas foram presas.
Durante a operação, foram apreendidos 67 quilos de maconha, 66 quilos de cocaína, cerca de R$ 84 mil em dinheiro, dois veículos, duas armas de fogo, munições, carregadores, um drone, antenas de roteamento de internet e diversas balanças de precisão.
Investigação e atuação do grupo
As investigações tiveram como base cinco ocorrências registradas entre setembro de 2023 e junho de 2024, que envolveram prisões em flagrante, grandes apreensões de drogas e armas, além da interceptação de cargas que chegavam a toneladas de drogas. Entre os casos, destaca-se a apreensão de 2,4 toneladas de maconha na BR-386, em Lajeado, e a prisão de um dos líderes da organização em Porto Alegre, no dia 18 de junho de 2024.
A partir desses fatos, a Polícia Civil identificou a existência de uma célula criminosa denominada “A Camisa”, responsável principalmente pela comercialização de maconha em diversas cidades da Região Metropolitana e do interior do Estado.
Segundo o delegado Joel Wagner, o grupo atuava de forma estruturada e, em algumas ocasiões, em consórcio com outras organizações criminosas, especialmente para trazer drogas de outros estados ao Rio Grande do Sul. As investigações apontam que a organização movimentou mais de R$ 4,2 milhões durante o período analisado.
Ligação com crimes de grande repercussão
A organização criminosa também teve participação no roubo ocorrido em Caxias do Sul, em 19 de junho de 2024, quando um grupo criminoso realizou uma das maiores ações já registradas no Estado, com o roubo de cerca de R$ 30 milhões. O crime resultou na morte de um policial militar e foi investigado pela Polícia Federal.
Além disso, um dos principais investigados possui envolvimento em outros crimes de grande repercussão, como o roubo de uma aeronave em 2017, ocorrido a partir do aeroporto de Canela.
Estrutura criminosa
A investigação revelou uma hierarquia bem definida dentro da célula criminosa, com lideranças, subordinados diretos, fornecedores, gerentes responsáveis por cidades e regiões, além de intermediários financeiros. Muitos dos alvos possuem antecedentes por crimes como tráfico de drogas, homicídios, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O Diretor de Investigações do Denarc, delegado Alencar Carraro, destacou que a operação reforça o compromisso da Polícia Civil no enfrentamento às organizações criminosas no Estado. Já o Diretor do Denarc, delegado Carlos Wendt, salientou que o foco das investigações é atingir as lideranças e promover a descapitalização dos grupos criminosos.
A Operação Camisa 2 segue em andamento, e novas prisões e apreensões não estão descartadas.
