O período de encerramento do ano, tradicionalmente associado a festas e celebrações, também pode ser marcado por sentimentos de ansiedade, melancolia, tristeza e solidão. Esse conjunto de reações emocionais é conhecido popularmente como “Síndrome do Fim de Ano” ou dezembrite — termo que, embora não represente um diagnóstico clínico, é amplamente utilizado para descrever o impacto emocional desse período.
De acordo com a psicóloga Sabrina Rugeri, o fim do ano costuma intensificar emoções já presentes ao longo dos meses anteriores. “É um momento de avaliações, cobranças e comparações. O ano não cria o sofrimento, mas amplia aquilo que não foi elaborado emocionalmente”, explica. Entre os fatores que contribuem para o quadro, segundo a psicóloga, estão a pressão por resultados pessoais e profissionais, expectativas sociais elevadas, excesso de compromissos, gastos financeiros e maior exposição a conteúdos idealizados nas redes sociais.
“As comparações tendem a aumentar a sensação de fracasso e inadequação, especialmente quando as pessoas veem apenas recortes positivos da vida alheia”, destaca a psicóloga.
Os principais sinais associados à dezembrite incluem ansiedade, tristeza persistente, irritabilidade, sensação de vazio, alterações no sono e no apetite, cansaço emocional e isolamento social. Segundo Sabrina Rugeri, é preciso atenção quando esses sintomas se prolongam e passam a comprometer a rotina. “Quando há perda de interesse pela vida cotidiana, dificuldade de sair de casa ou pensamentos negativos recorrentes, buscar ajuda profissional é fundamental”, afirma.
Para reduzir os impactos do período, a orientação da psicóloga é investir em autocuidado, estabelecer metas realistas, respeitar limites pessoais e priorizar relações sociais mais genuínas, fora do ambiente virtual. A prática da reflexão com foco na gratidão e em conquistas possíveis também contribui para atravessar o momento com mais equilíbrio.
Em casos de sofrimento intenso, o apoio profissional é indispensável. Além do acompanhamento psicológico, pessoas em crise emocional podem recorrer ao Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia, pelo telefone 188.
“A saúde mental precisa ser tratada com a mesma seriedade que a saúde física. Nem todo fim ou começo de ciclo precisa ser vivido com euforia. Respeitar os próprios limites é um passo importante para um novo ano mais saudável”, conclui a psicóloga.
