Na manhã desta quinta-feira (4) o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS) deflagrou a Operação Ascaris em Caxias do Sul e outras duas cidades da região. A operação objetiva investigar o desvio e comercialização irregular de doações recebidas por organizações não governamentais enviadas por empresas da Serra Gaúcha e dos Estados Unidos, que deveriam ser repassadas para vítimas das enchentes de 2024 no Estado. O GAECO cumpriu mandados de busca e apreensão em Caxias, São Marcos e Boa Vista do Sul.
Através de nota, a Fundação Caxias informou que representantes do Ministério Público estiveram na sede da organização para realizar averiguações de rotina, não constatando nenhum tipo de irregularidade nos serviços prestados pela fundação. A nota também esclarece tópicos referentes à relação com a Associação Per Amore, entidade que faz uso do espaço cedido no segundo andar do prédio da Fundação.
Segundo a Fundação Caxias, ambas as organizações possuem personalidades jurídicas distintas, havendo apenas o apoio para execução do projeto “Transformando Vidas com Amor e Solidariedade” – que envolve oficinas de corte e costura – desenvolvido pela Associação Per Amore.
As dependências do espaço utilizado pelo projeto foram inspecionadas pela força-tarefa do Ministério Público, mas nenhuma inconformidade foi verificada no local. A Fundação Caxias, ainda no comunicado, reforça seu compromisso com a transparência e a responsabilidade social, mantendo sempre a ética como base de suas ações e parcerias.
Investigações realizadas pelo GAECO revelaram que roupas e utensílios destinados a famílias desabrigadas foram encaminhados para ONGs da Serra, mas acabaram sendo comercializados em brechós da região, com indícios de enriquecimento ilícito por meio de laranjas e recebimento de valores via Pix em nome de terceiros. Oito suspeitos, sendo três da mesma família, e uma empresa jurídica, estão entre os alvos da operação do GAECO.
Segundo o promotor Manoel Figueiredo Antunes, coordenador do 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra, os investigados cometeram os crimes de apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro, praticados em contexto de calamidade pública. A operação foi desencadeada após denúncias encaminhadas ao Consulado-Geral do Brasil em Miami, que alertou a Defesa Civil do Estado para a venda de roupas importadas – algumas de marcas famosas – que deveriam ser destinadas às vítimas das enchentes.
Confira na integra a nota da Fundação Caxias:
“NOTA INFORMATIVA – FUNDAÇÃO CAXIAS
04 de dezembro de 2025
A Fundação Caxias informa que, na manhã desta quinta-feira (04/12), recebeu a visita de representantes do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, no contexto da operação que investiga organizações não governamentais em Caxias do Sul e outras cidades da região. Os agentes estiveram na sede da Fundação para averiguação de rotina e nenhuma irregularidade foi constatada.
Quanto ao questionamento sobre a relação entre a Fundação Caxias e a Associação Per Amore, esclarecemos que se tratam de entidades com personalidades jurídicas distintas a parceria existente se limita ao apoio da execução do projeto “Transformando Vidas com Amor e Solidariedade”, que envolve oficinas de corte e costura. A Per Amore tão somente utiliza o espaço cedido pela Fundação e localizado no segundo andar do prédio, exclusivamente para fins de realização das atividades previstas no referido projeto.
Durante a inspeção, o Ministério Público verificou as dependências utilizadas pelo projeto e não identificou qualquer inconformidade.
A Fundação Caxias reforça seu compromisso com a transparência, legalidade e responsabilidade social, mantendo sempre a ética como base de suas ações e parcerias”.
