Prefeitos de ao menos 21 municípios do Rio Grande do Sul intensificaram as articulações para acelerar a implementação de sistemas antigranizo em áreas rurais da Serra Gaúcha. A mobilização ganhou força após a série de temporais registrada no fim de novembro, quando pedras de gelo de até 10 centímetros provocaram danos severos em regiões produtoras e resultaram em prejuízos milionários em pomares e lavouras.
Caxias do Sul, maior produtora de hortifrutigranjeiros do Estado, tem liderado as discussões técnicas e políticas. O município teve cerca de 260 hectares plantados afetados diretamente pelos temporais. As culturas de uva, ameixa, caqui, pêssego e maçã foram as mais atingidas, com perdas estimadas em mais de R$ 6 milhões. Segundo a administração municipal, os recentes episódios reforçam a urgência de implantação de um sistema de proteção, tema que vem sendo debatido com o governo estadual há quase dois anos.
A proposta em análise no Rio Grande do Sul segue o modelo originalmente desenvolvido em Santa Catarina, baseado em uma parceria entre Estado e municípios. O investimento inicial, estimado em torno de R$ 15 milhões, seria custeado pelo Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis), enquanto a manutenção ficaria sob responsabilidade das prefeituras.
Uma comitiva liderada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Governo do Estado, que deverá contar com lideranças municipais e deputados estaduais, visitará Santa Catarina em janeiro de 2026 para conhecer de perto o sistema, que opera há mais de três décadas e atualmente abrange 13 municípios catarinenses. O deputado estadual Elton Weber (PSB), que integrará a comitiva, explica que a visita objetiva entender o funcionamento do sistema e sanar dúvidas quanto a sua instalação.
O mecanismo utilizado em Santa Catarina combina informações de radar meteorológico, estações de superfície, radiossondas e modelagem numérica para detectar a formação potencial de nuvens de granizo sobre áreas protegidas. Quando há confirmação do risco, uma rede de geradores instalados no solo é acionada para liberar partículas de iodeto de prata na atmosfera. Essas partículas funcionam como núcleos adicionais de condensação, favorecendo a formação de cristais de gelo menores. Esse granizo reduzido tende a se desintegrar parcial ou completamente durante a precipitação, diminuindo expressivamente os danos nas plantações.
Ainda não foram definidas quais serão as cidades e os dias de visita a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri). A expectativa dos gestores gaúchos é de que o projeto seja implementado o mais breve possível e que o sistema represente um avanço significativo na proteção da produção agrícola, reduzindo os prejuízos recorrentes.
