A Marcha Global pelo Clima iniciou na manhã deste sábado (15), com saída do Mercado de São Brás, e ocupou as ruas de Belém com manifestações que reivindicavam justiça climática, reparação pelos danos socioambientais e financiamento climático justo, direto e público. Lideranças de movimentos sociais, organizações ambientais, povos originários, quilombolas, ribeirinhos e representantes da sociedade civil caminharam juntas, empunhando faixas e cartazes que pediam maior participação nas decisões políticas discutidas na COP 30. A organização estima que cerca de 30 mil pessoas de vários locais e diferentes países participaram do ato.
A Marcha percorreu um trajeto de 4,5 quilômetros e reuniu delegações de diversos países, que vieram à capital paraense para reforçar as demandas por soluções reais para a crise climática. As ministras Sonia Guajajara e Marina Silva marcaram presença na mobilização.
Guajajara destacou a relevância da presença coletiva nas ruas e afirmou que a manifestação reúne ‘a representação do povo, dos movimentos, de quem sempre esteve cuidando e protegendo’.
“Certamente o que é dito aqui vai, sim, ter uma incidência lá nas decisões”, afirmou a ministra.
Já Marina Silva destacou que o evento reuniu ‘aqueles que sofrem o problema da emergência climática e que têm o propósito de ajudar a resolvê-lo’.
A marcha integrou a programação da Cúpula dos Povos Rumo a COP 30, que intensifica sua agenda com atividades dentro e fora da Universidade Federal do Pará (UFPA). A programação reúne lideranças de 62 países em debates sobre reparação histórica, proteção dos territórios, transição energética e ecológica justa, combate às falsas soluções de mercado e fortalecimento da democracia na governança climática.
O movimento também antecede ações como o ‘Banquetaço’, neste domingo (16), e a entrega da “Carta dos Povos” ao presidente da COP 30, André Corrêa do Lago.
Faixas manifestam contrariedade ao governo Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de várias faixas e dizeres durante o protesto. Entre eles: “Se vender a Amazônia, nós paramos o Brasil”, diziam os manifestantes.
Em outras faixas, integrantes de movimentos sociais como dos Atingidos por Barragens, dos Pescadores e Pescadoras Artesanais e da Soberania Popular na Mineração traziam contestações como: “Mudem o sistema, não o clima”, “Hidrelétrica na Amazônia não é energia limpa”, dizia em vozes, centenas de pessoas que ocuparam diferentes pontos das ruas de Belém.
Congregações religiosas trouxeram a mensagem de paz e respeito ao planeta Terra. “É a partir da educação popular, a mobilização nos territórios e a aliança nos territórios mais ameaçados que se pode transformar a história do clima e garantir a segurança deles”, argumentou um padre participante da Marcha e integrante da Comissão Episcopal para a Ecologia Integral e Mineração da Igreja Católica.
Com a Marcha, preocupações na segurança da COP30
Os arredores do Centro de Conferências da Amazônia, onde acontece a COP30, estavam fortemente policiados na manhã deste sábado (15). Uma forte presença de segurança aérea de helicópteros além de militares do exército e da Força Nacional, para proteger o local onde diplomatas e autoridades de 195 países se reúnem para a Conferência da ONU. Durante a semana, dois protestos de indígenas causaram distúrbios no evento e suscitaram preocupações das Nações Unidas quanto à segurança no local.
Esta é Conferência do Clima que conta com a maior participação de indígenas da história, com 360 credenciados para participar das negociações multilaterais. Mas durante a COP30 eles exigem mais: querem um assento próprio na mesa. Também estão aproveitando a ocasião para exigir mais demarcações de terras no Brasil.
Ainda na sexta, após a manifestação pacífica de Mundurukus bloquear a entrada da COP30 durante duas horas, o governo federal prometeu acelerar a demarcação de Sawré Muybu e Sawré Ba’pim, no Pará.
A Rádio Caxias está em Belém (PA) com o repórter Tales Armiliato e o apoio de:
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