Nesta segunda-feira (10), a cidade de Belém, no Pará, abre oficialmente os trabalhos da 30ª edição da conferência mundial sobre mudanças climáticas da United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC). O evento, que vai de 10 a 21 de novembro, traz todas as atenções para a Amazônia brasileira – uma zona simbólica e estratégica no combate ao aquecimento global.
A expectativa é de reunir cerca de 50 mil participantes, entre delegações, negociadores, sociedade civil e mídia internacional.
A escolha de Belém, às margens de uma das florestas tropicais mais importantes do mundo, reforça o recado de que a preservação da natureza e os impactos climáticos são temas globais — e que as soluções passam por espaços concretos de floresta, rios e biodiversidade. As autoridades brasileiras já indicaram que algo em torno de 150 delegações internacionais deverão estar presentes.
O desafio, no entanto, está à altura: infraestrutura, hospedagem, transporte, energia verde, além da necessidade de tornar o evento acessível aos países em desenvolvimento e aos atores mais afetados pelas mudanças climáticas.
Um dos destaques desta edição é a presença protagonizada dos povos indígenas, que ocupam papel central no debate e na defesa de suas terras, culturas e modos de vida. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) destaca que “proteger os direitos dos povos indígenas é proteger o planeta”, considerando que seus territórios abrangem cerca de 105 milhões de hectares no Brasil, com índice de desmatamento inferior a 3%.
Além disso, está prevista uma “Aldeia COP” para acomodar cerca de 3 a 5 mil representantes indígenas de diversas etnias, como espaço de alojamento, cultura, debate e espiritualidade.
Apesar da mobilização e da magnitude simbólica, persistem tensões: desde o alto custo de hospedagem em Belém (que já oferece mais de 53 000 leitos, mas ainda com gargalos) até a necessidade de garantir voz efetiva aos países mais vulneráveis e às comunidades locais, e não apenas aos grandes emissores e corporações. A COP30 será, assim, tanto uma vitrine quanto um teste: para a Amazônia, para o Brasil, para o sistema climático global.
Com a abertura oficial marcada para esta segunda-feira, a programação inclui painéis multisectoriais, encontros de chefes de Estado, além de sessões paralelas da chamada “Zona Verde” (voltada à sociedade civil) e “Zona Azul” (negociações oficiais).
A expectativa é que estes primeiros dias estabeleçam o tom: será possível sair daqui com decisões concretas para manter viva a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C — ou veremos mais uma conferência retórica sem follow-through? Belém responde a esse desafio.
Acompanhe em áudio, particição do repórter Tales Armiliato no Jornal da Caxias desta segunda-feira (10), que está em Belém (PA) pela Rádio Caxias acompanhando a COP30.
Informações da Rádio Caxias na COP30 levam o apoio de:
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