O torcedor mais ligado no Juventude e que acompanha o noticiário esportivo, provavelmente já ouviu falar nos empresários Robert Martini, Di Domenico Carmine e Luiz Carlos dos Santos e no que eles estão proporcionando ao clube como, por exemplo, a viagem para a Europa e a oportunidade de disputar o principal torneio de clubes de juniores do mundo. Os dois primeiros são sócios na empresa Soccer Management enquanto Luis representa a PRS Sports Business. Os três empresários se uniram em prol de um grande objetivo: ajudar o Juventude a voltar aos tempos de glória.
O futebol virou comércio. Clube que não vende jogadores está fadado ao fracasso. Clube que vende mal os seus jogadores está apenas fazendo caridade aos já milionários times europeus e ao mesmo tempo deixando de se manter e crescer financeiramente. Esse ponto de vista é compartilhado por todos que vivem os bastidores do futebol e o celeiro de jovens e futuros craques que antes servia primordialmente para reforçar o plantel principal, hoje é encarado como matéria prima para venda.
Já houve uma época que se plantava para o próprio sustento. Ninguém se intrometia em terras alheias e tudo era suficiente para que a vida seguisse. Mas a ganância típica do ser-humano despertou e, na Idade Média, o Feudalismo atingia o seu ápice. Neste momento o homem já não plantava apenas para si mesmo. Ele precisava abastecer as classes superiores em troca de misérias para sobreviver. Aquele que tivesse o azar de nascer em berço pobre e não cumprisse essa lei era excluído da sociedade. A injusta hierarquia absolutamente perceptível fazia os grandes crescerem cada vez mais e os pequenos diminuírem na mesma proporção. O feudalismo terminou, mas fez nascer o Capitalismo, que também não tem lá grande diferença do ponto de vista hierárquico. O mundo segue com a tendência de enriquecer os ricos e empobrecer os pobres. O segredo está justamente em quebrar esse paradigma. Descobrir como não é tarefa fácil.
A história vive de ciclos. O futebol também. Há de se perceber que as águas que levam o futebol e seus bastidores seguiram exatamente o mesmo leito que a história da humanidade. Os pequenos só existem para que os grandes pareçam ainda maiores. Fazer futebol apenas por paixão já não é suficiente. Mas fazer futebol apenas por questões financeiras também não atrai e tampouco faz tremer arquibancadas. É por isso que, para quebrar um paradigma consolidado no futebol, em que os pequenos e médios estão à beira da extinção ou simplesmente estão estagnados em uma condição perpétua, é preciso unir coração e razão. Sentimento e inteligência. Paixão e capital. Essa ideia está abrindo portas ao Esporte Clube Juventude. Está colocando sobre a mesa uma possibilidade capaz de despertar sonhos já perdidos ou esquecidos.
Torcedor do Juventude desde a infância, aos 32 anos, Robert Martini Delazeri se considera hoje um colono moderno. Colono porque nasceu na Linha Olinda, em Nova Brescia, distante 150 km de Caxias do Sul e foi na lavoura dos pais Etelvino Delazeri e Lourdes Martini que aprendeu as primeiras lições do mundo. Moderno porque sua vida gira em torno de negócios, de empresas, de grandes marcas, da Europa. A lacuna entre a lavoura em Nova Brescia e a Itália pode ser preenchida com alguns momentos importantes, proporcionados por contatos e amizades feitas durante uma longa caminhada em busca do sucesso, de preferência, em meio ao futebol, paixão de moleque, dos tempos em que narrava partidas de futebol para o gado de criação da família. Como se fosse uma linha do tempo, Martini cita José Lemertz, preparador físico, amigo de longa data que o indicou para trabalhar como treinador em um núcleo do Flamengo em São Sebastião do Caí. Lá conheceu um cidadão chamado Toninho, que o proporcionou uma boa chance de entrar no mundo do futebol. Anos mais tarde, se juntou a um grupo de empresários conhecido como Força e Luz e também conheceu Bernardo Silva, hoje um dos maiores empresários brasileiros que atuam na Europa. Martini se tornou representante da Fiorentina em solo verde e amarelo e a ponte aérea Brasil – Europa passou a fazer parte de sua rotina.
Conhecedor dos macetes do futebol e principalmente do cenário Europeu, Robert Martini Delazeri, de passe livre em clubes da elite do futebol italiano precisava resolver uma inquietação, algo que o perdurava desde a infância em Nova Brescia: trabalhar junto ao Juventude, seu time do coração. O auxílio não poderia chegar ao clube em melhor hora. Na última divisão nacional, o Juventude suplicava por parceiros que o ajudassem a suportar crises financeira e de identidade jamais vistas nos quase 100 anos de história do clube. Ao contrário do que se pensa, foi Martini que procurou o clube e se colocou a disposição.
Passados alguns meses de parceria, Martini fala sobre o atual momento do Juventude e como ele projeta os próximos passos alviverdes. Conheça um pouco mais deste profissional que, ao que tudo indica, terá seu nome vinculado ao Juventude durante os próximos tempos. Confira na íntegra a entrevista concedida exclusivamente ao blog 930, da Rádio Caxias:
Blog 930: Você é hoje um grande empresário do futebol. Quais palavras podem lhe definir?
Robert Martini Delazeri: Sonhador e aventureiro. É o que eu sempre fui na minha vida desde a época que trabalhei na roça e que comecei a conhecer o Juventude e saber que esse clube existia através da antiga e extinta TV Guaíba, nas partidas da série B da época. A partir disso foi nascendo um amor, um carinho profundo, por ser talvez um dos únicos torcedores do Juventude da cidade de Nova Brescia, por viver no meio de gremistas e colorados e ali torcer de uma forma solitária pelo Juventude. Hoje, estou dentro do Juventude, estou colaborando e esperamos ter dias melhores. A minha vida foi feita de aventuras e ainda é feita de sonhos. Obviamente que eu tenho muitos sonhos para o Juventude e muitos sonhos particulares com o Juventude. Espero, ao longo do tempo, realizá-los. Acho que é desta maneira que eu posso me apresentar ao torcedor papo, ou aos Jaconeros, como são conhecidos agora.
Blog 930: Ainda podemos usar o termo projeto? Porque esse termo remete a algo que está em estudo, que ainda não foi executado. A sua ligação com o Juventude já estaria num nível de realidade, de execução?
Martini: Isso tudo começou a nascer com o torneio de Viareggio. A possibilidade se abriu a partir do meu sócio, Di Domenico. A partir dessa idéia de trazer um time brasileiro para a Itália, eu desde o primeiro momento coloquei o Juventude em pauta. A partir disso as coisas foram se concretizando e foram nascendo outras ideias. Em virtude de conhecer o futebol europeu, de ter trabalhado indiretamente com a Fiorentina, ter adquirido conhecimento dentro do futebol, saber da importância que é você trabalhar um jogador para atuar na Europa, coloquei no papel algumas ideias, como o torneio de Viareggio. Além disso, tenho um projeto de profissionalização das categorias de base do Juventude, de padronização do trabalho para que seja voltado ao futebol Europeu, como Itália, Espanha, Inglaterra e França. Precisamos preparar os garotos de forma correta, desde as escolas de futebol do Juventude até o sub-20 para que eles possam participar de torneios na Europa, serem vistos e ter o interesse desses clubes. Para isso, é preciso haver uma gestão dentro do Juventude que siga um planejamento, para que os jogadores estejam preparados nos âmbitos técnico, tático e disciplinar. E, principalmente hoje, ter jogadores comunitários (com dupla cidadania) o que é extremamente importante para negociar com os países que eu citei.
Blog 930: Qual é a sua relação com o presidente do Juventude Raimundo Demore?
Martini: De amizade e de confiança. Porque os negócios são feitos entre as pessoas que representam empresas ou clubes. Mas essas pessoas, acima de qualquer coisa, precisam ter confiança, olhar no olho. O relacionamento com o Demore é o melhor possível. Eu diria que com ele eu não preciso ter papel assinado porque ele é um homem que cumpriu o que me falou até o momento e eu tenho cumprido o que eu falei pra ele. Então o relacionamento é de extrema confiança e o torcedor do Juventude pode ter certeza que nós vamos colher os frutos desta confiança entre seres humanos que representam clubes ou empresas.
Blog 930: Você dá a entender que se sente fazendo parte do Juventude. Ao contrário de outras situações em que o empresário não vive o dia-a-dia do clube. Por essa parceria com o presidente Demore, e por estar vivendo 24 horas o dia do clube em Viareggio, você se sente fazendo parte do Juventude?
Martini: Hoje eu faço parte do Juventude não como torcedor, mas de uma forma que eu possa levar benefícios para os meus colegas torcedores. Que o trabalho que eu faço beneficia o Juventude. Eu sempre fui muito transparente com o torcedor, dizendo que há um negócio entre o Juventude e empresas e obviamente que existem acordos percentuais que serão cumpridos por parte dos dois. Mas acima de tudo isso está o amor pelo clube e o amor pelo próprio torcedor, que precisa ver nesta parceria algo que seja um benefício próprio. Eu me sinto hoje com uma responsabilidade muito grande em relação ao Juventude.
Blog 930: Quando seu nome é citado, sempre se faz referencia a negociações envolvendo jogadores das categorias de base. Mas você pode ser parceiro do Juventude em outras áreas, como contratações, busca por patrocinadores? Existe essa possibilidade?
Martini: Existem todas essas possibilidades mas hoje está focado para o planejamento das categorias de base. E hoje a gente sabe que o Juventude fechou uma grande parceria com o banco BMG e isso é uma coisa que precisa ser muito respeitada porque existe investimento por parte dessa grande empresa. O foco do Martini, o foco da Soccer (Management), o foco da PRS (Sports) é hoje as categorias de base. Profissionalizar com planejamento, para que possamos fazer Viareggio, Belinzona e muitos outros torneios, trazendo não apenas o sub-20, mas também o sub-17, sub-15 e porque não, fazer uma surpresa para alguns garotos mais jovens de ter uma experiência na Europa. Ainda com relação a categoria de base, existe a possibilidade de trazermos patrocinadores importantes e estamos trabalhando para isso, mas há muito respeito com a grande empresa (banco BMG) que está no Juventude hoje e com certeza iremos andar juntos.
Blog 930: Qual a importância da participação do Juventude na Viareggio Cup?
Martini: É histórico para o Juventude participar de um torneio desta grandeza e dessa história. Acredito que seja o maior torneio das categorias de base do Juventude. Ao mesmo tempo, é o maior torneio que um clube do interior do estado já participou. O Juventude representa não só o interior gaúcho, mas o interior do Sul do Brasil.
Blog 930: Seguindo esse planejamento que você expôs com relação ao Juventude e tendo em vista o que já está acontecendo, como você prevê o clube nos próximos cinco anos?
Martini: Daqui a cinco anos, eu enxergo o Esporte Clube Juventude na Série B do Campeonato Brasileiro, como o maior clube brasileiro que vende jogadores jovens para a Europa. Respeitado em todos os cantos do Brasil e principalmente da Europa, como um clube que tem planejamento e execução do planejamento, com sucesso. Mas para que esses cinco anos passem com sucesso atingindo esses objetivos, devemos seguir uma linha de planejamento que já está sendo plantada na cabeça das pessoas que hoje estão ligadas ao Juventude. É importante dizer que desde o primeiro momento, o Juventude nos recebeu da melhor maneira possível.




7 comentários
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Franco Garibaldi
31 de janeiro de 2012 em 18:00 (UTC -3) Link para este comentário
Muito interessante a explanação sobre a atuação do Martini na base do Ju. Não adianta, o caminho é esse mesmo, negociar direto em vez de contar com os atravessadores da dupla grenal ou outros clubes brasileiros. Se o meu pitoco, o Matteo, que com recém 3 meses já tem 66cm e e 7,700kg tiver o dom, já tendo cidadania, é um candidato às Viareggio do futuro pelo Ju, ehehehe!
Cleber
31 de janeiro de 2012 em 17:16 (UTC -3) Link para este comentário
Poxa…otima materia parabens a todos os envolvidos e que deus ilumine o Martini e toda a nação juventudista!! Sofremos demais nos ultimos anos e merecemos um pouco de alegria!
que este inicio de projeto gere otimos frutos!!!
FORZA JUVE! FORZA MARTINI!
OSMAR PANIS
30 de janeiro de 2012 em 22:05 (UTC -3) Link para este comentário
Martíni, parabenizo-o excelente trabalho que vocês estão desenvolvendo junto ao Juventude. Sou Natural de Encantado vizinho de Nova Brécia e como você também já trabalhei na roça. Informo-te que tenho um filho com 16 anos / 1995, zagueiro com 1,81m de altura atua desde os 5 (cinco) anos e atualmente esta na base do Goiás em Goiânia, apesar de morarmos em Brasília. Por oportuno te informo que estamos de posse de toda a documentação já legalizada junto ao Itamarati e traduzida por tradutor oficial para o Italiano restando tão somente ir para a Itália dar entrada para se tornar um jogador comunitário. Gostaria de receber um contado seu Martíni para que possamos falar sobre o assunto o qual poderá ser feito pelo e-mail acima ou pelo telefone 61 9984 522268.
Gabriel de Aguiar Izidoro
30 de janeiro de 2012 em 17:40 (UTC -3) Link para este comentário
Este Edmilson Silva não é o mesmo que é primo do Assis? Ou algo assim…
Fernando Riro
30 de janeiro de 2012 em 16:45 (UTC -3) Link para este comentário
Bela entrevista!! Gostei do que eu li, espero que tudo isso que está sendo plantado dê frutos num futuro não muito distante!!
Saudações alviverdes!!!
geandro turcatti
30 de janeiro de 2012 em 15:01 (UTC -3) Link para este comentário
Martini , escondendo a festa hein…. guarda um pedaço deste bolo, parabéns meu amigo , muito felicidade , saúde e realizações, um grande abraço do teu amigo ;
Geandri Turcatti
Juliano Moraes
30 de janeiro de 2012 em 14:25 (UTC -3) Link para este comentário
“Daqui a cinco anos, eu enxergo o Esporte Clube Juventude na Série B do Campeonato Brasileiro, como o maior clube brasileiro que vende jogadores jovens para a Europa. Respeitado em todos os cantos do Brasil e principalmente da Europa, como um clube que tem planejamento e execução do planejamento, com sucesso. ”
Quase chorei quando li isso, que Deus lhe pague em dobro o que tu está fazendo pelo JU, Sr. Robert Martini.
E que o JU siga essa linha de planejamento que está sendo implantada, a nossa marca, a marca do JU, tem que ser valorizada e explorada, porque é muito forte, vejo isso nas visitas ao estádio, todos que vão para caxias do sul querem ver o Jaconi.
Forza JUVE